Exportações brasileiras podem sofrer com a retaliação de mercados estratégicos após nova guerra comercial
Uma pesquisa realizada pelo banco Itaú indica que, desta vez, os efeitos positivos para o comércio brasileiro podem ser mais restritos, ressaltando que as repercussões negativas devem ser mais acentuadas em uma futura nova disputa comercial

Ao contrário da última guerra comercial de Donald Trump, que beneficiou o Brasil, a economia brasileira agora enfrentará desafios se Trump decidir aplicar tarifas a vários países. Um estudo do banco Itaú indica que os efeitos positivos para o comércio brasileiro podem ser limitados desta vez, enquanto os impactos negativos poderão ser mais pronunciados.

Durante a primeira guerra comercial, o Brasil não pagou tarifas e se beneficiou ao vender mais produtos à China, que retaliou as tarifas americanas. Isso ajudou o Brasil a aumentar suas exportações, passando de 20% para quase 30% do PIB entre 2018 e 2020, enquanto o comércio global caiu. No entanto, o cenário atual é diferente, pois há uma chance maior de tarifas sobre o Brasil, especialmente porque Trump ameaçou taxar os países do Brics.

As oportunidades de aumentar as exportações são limitadas. O Brasil já é o principal fornecedor de soja para a China, representando cerca de 70% das importações chinesas de soja. Embora haja algum espaço para aumentar as vendas, não há potencial significativo como em 2018 e 2019. Para outros produtos, como milho e petróleo, as perspectivas são ainda mais sombrias, já que a China não deve precisar importar muito milho e tem fornecedores preferenciais no Oriente Médio e na Rússia para o petróleo.

Os economistas alertam que Trump pode usar as tarifas como uma forma de negociar. Se os EUA e a China fecharem um novo acordo, a China pode comprar mais soja americana, reduzindo as compras do Brasil. Além disso, há preocupações sobre a implementação de uma tarifa universal de 10% em todos os produtos importados, o que afetaria especialmente os setores de combustíveis e alimentos.

Os EUA foram o segundo maior destino das exportações brasileiras em 2024, com vendas de US$ 40,330 bilhões, enquanto a China liderou com US$ 94,4 bilhões. Recentemente, Trump tomou medidas para aumentar tarifas sobre produtos do México e do Canadá, além de planejar tarifas sobre a China. Se essas tarifas forem implementadas, o comércio internacional poderá sofrer outra queda, causando um crescimento menor do PIB e inflação mais alta nos EUA devido ao aumento nos preços dos produtos importados.

