INTERNACIONAL

Donald Trump conquista a presidência e surpreende o mundo ao desbancar Kamala Harris

Republicano foi eleito para segundo mandato na maior potência econômica e militar do mundo

Donald Trump gesticula para a multidão na conclusão de seu comício final da campanha na Van Andel Arena em Grand Rapids, Michigan — Foto: REUTERS


O empresário Donald Trump derrotou a vice-presidente Kamala Harris, candidata do Partido Democrata, que tinha apoio do atual presidente americano Joe Biden – que havia vencido Trump em 2020. Ao lado de seu vice, JD Vance, ele afirmou que vai inaugurar uma “era de ouro” nos Estados Unidos. “Vamos ajudar nosso país a se curar. Vamos consertar nossas fronteiras, consertar tudo no nosso país. Fizemos história, superamos obstáculos. É uma vitória política que nosso país nunca viu antes.”

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Trump garantiu sua vitória ao assegurar os 270 delegados exigidos pela norma eleitoral. Até o momento, enquanto a apuração continua em alguns estados, ele já conquistou todos os delegados de estados-pêndulo como Pensilvânia, Geórgia, Carolina do Norte e Wisconsin, sendo este último o resultado que definiu a eleição favorável aos republicanos. A projeção que mostra a vitória de Trump foi apresentada na manhã da quarta-feira (6) pela agência Associated Press (AP).

Vance, vice na chapa de Trump, assumirá como o 50º vice-presidente da história dos EUA.
A volta de Trump à presidência ocorre em um momento de insatisfação nacional, com apenas um quarto dos americanos expressando apoio com a direção do país e dois terços manifestando perspectivas econômicas desfavoráveis.


Trump substitui o atual presidente Joe Biden, do Partido Democrata, apresentando-se como um defensor das liberdades amparadas pela Constituição dos Estados Unidos, como as liberdades de expressão e defesa. É a segunda vez na história que um presidente comandará os Estados Unidos por dois mandatos não consecutivos.
Horas antes de alcançar os 270 delegados – faltavam 3 para o mínimo – o ex-presidente já declarava vitória no Centro de Convenções do Condado de Palm Beach, na cidade de West Palm Beach, Flórida.
“Quero agradecer ao povo americano pela extraordinária honra de ter sido eleito seu 47º presidente”, afirmou o republicano, acompanhado de sua família, membros da equipe de campanha e apoiadores.
“Faremos a América grande novamente”, declarou Trump diante dos gritos de histeria que inundaram o local durante a madrugada, enquanto a apuração acontecia.

Sobreviveu a dois atentados

Trump também mencionou de forma breve a tentativa de assassinato que sofreu em julho, quando foi atingido de raspão por uma bala em sua orelha durante um comício. Ele disse à multidão que sua vida foi “salva por uma razão” – algo que já havia sugerido durante a campanha.
A confirmação de vitória veio com o fim da apuração no estado de Wisconsin, por volta das 7h30 da quarta-feira (6), que deixou Trump com 277 delegados.

Trump critica gestão de fronteira de Biden em meio à campanha eleitoral

A política de imigração dominou a campanha de Trump, que apontou falhas na gestão de fronteira de Biden. Em dezembro de 2023, os EUA registraram um recorde de mais de 300 mil entradas ilegais no país, enquanto a média mensal de 2013 a 2019 era de 39 mil. Em resposta a esses números, Trump prometeu em seu plano de governo realizar a maior deportação da história do país. Entre as principais propostas também, estão o envio de reforços para proteger a fronteira EUA-México, a construção de novas instalações de detenção de imigrantes ilegais, e até a aplicação de tarifas sobre produtos mexicanos, caso o governo local, liderado pela socialista Claudia Sheimbaum, não controle a crise migratória e o tráfico de drogas. 

Trump também defende o fim da cidadania por direito de nascimento para filhos de imigrantes em situação irregular e prometeu deportar estudantes estrangeiros envolvidos em manifestações contrárias a Israel. Por outro lado, ele sugeriu uma medida para facilitar a migração de estudantes estrangeiros em universidades americanas, garantindo-lhes green cards automáticos. 

Donald Trump discursa em Doral, na Flórida – 16/10/2024 — Foto: Marco Bello/Reuters

“Vamos selar as nossas fronteiras e vamos ter que deixar que as pessoas entrem no país. Queremos que as pessoas regressem. Temos de deixá-las regressar, mas terão de fazê-lo de maneira legal. Podem vir, mas de maneira legal”, enfatizou Trump diante de centenas de apoiadores no Centro de Convenções de Palm Beach, cercado por sua família.
“Temos que ajudar o nosso país a se cicatrizar. Temos um país que precisa de ajuda, e precisa dela urgentemente. Vamos consertar as nossas fronteiras”, acrescentou no discurso.

Economia e inflação como desafios para Trump

Na área econômica, Trump terá que enfrentar uma economia que, embora esteja em crescimento, mostra sinais de desaceleração na geração de empregos e mantém uma inflação ainda preocupante. Em outubro, o país registrou apenas 12 mil novos postos de trabalho, uma queda significativa em comparação ao mês anterior.

Para tentar controlar os preços e estimular a produção interna, Trump anunciou que pretende impor tarifas de 10% a 20% sobre produtos importados, chegando a até 60% para importações da China. Além disso, promete expandir as concessões para extração de petróleo, visando reduzir os preços de energia. No campo fiscal, ele planeja tornar permanente a Lei de Cortes de Impostos e Empregos, aprovada em seu primeiro mandato, reduzindo a maior faixa de imposto sobre pessoas físicas para 37% e a taxa corporativa para 15% para empresas que fabricam nos Estados Unidos. Outras propostas incluem isentar idosos de impostos sobre benefícios da Previdência Social. 


Guerras e relações internacionais

Na política externa, Trump herdará os desafios das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Embora não tenha uma proposta concreta para a resolução do conflito entre Ucrânia e Rússia, o republicano tem indicado seu desejo de que Kiev tente negociar um acordo, ainda que doloroso, de paz o ditador Vladimir Putin. Durante a campanha, ele criticou duramente o apoio militar de Biden à Ucrânia, acusando os democratas de conduzirem o mundo à beira de uma nova guerra mundial. 
Em relação a Israel, Trump tem reafirmado seu apoio ao país, relembrando sua decisão, em seu primeiro mandato, de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. Ele também prometeu apoiar Israel no atual conflito, embora tenha cobrado uma resolução rápida e melhor manejo das relações públicas: “Israel precisa fazer um trabalho melhor de relações públicas, francamente, porque o outro lado está vencendo na frente de relações públicas”, declarou Trump. 


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