Ativista indígena e escritor, Ailton Krenak foi eleito para a Academia Brasileira de Letras

Discurso na Constituinte não foi o único feito do pensador indígena, que tem uma longa trajetória na causa dos povos originários
Com 23 votos, o escritor indígena e ativista ambiental Ailton Krenak foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) Ele é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na ABL, assumindo a cadeira número 5, que pertenceu a José Murilo de Carvalho, falecido em agosto deste ano. Disputaram com Krenak a historiadora Mary del Priore e o escritor também indígena Daniel Munduruku, que obtiveram, respectivamente, 12 e quatro votos.

Para o presidente da ABL, Merval Pereira, Krenak é um poeta com “visão de mundo muito própria e apropriada para este momento, em que o mundo está preocupado com o meio ambiente, em que os povos originários lutam por seus direitos. Tudo isso está embutido na vitória de Krenak na Academia. É um indígena que trabalha com a cultura indígena, com a valorização da oralidade”.
Sinto que faz toda a diferença, não para o Ailton, mas para os povos indígenas, para a diversidade da cultura, para a pluralidade das narrativas que se assentam na Academia. Agora entram algumas dezenas ou centenas de línguas junto comigo.
— Ailton Krenak/Ambientalista, filósofo, escritor e pensador indígena
LITERATURA DA AMAZÔNIA
Toda a trama desta obra de suspense se passa na cidade fictícia de Dazonino, um pequeno distrito industrial encravado no extremo norte do Brasil, mais precisamente no topo da Amazônia Legal, onde a biodiversidade é rica em vidas raras e minérios valiosos. Ambos cobiçados mundo afora, mais por quem destruiu seu próprio bioma, exauriu o solo e consumiu até a última gota de água potável.
É habitada por um povo miscigenado, pardacento, de olhos espremidos e bocas roxas. Caboclos persistentes nas crenças, profanos nas festas, devassos no amor e no sexo.
Um povo que gosta de viver tão intensamente que às vezes não é levado muito a sério. Que ri e chora simultaneamente, rezando e sambando, benzendo e amaldiçoando. Idiossincrasias que encantam e espantam. Tudo para driblar dificuldades tão crônicas quanto pandemia de malária ou surto assombroso de poliomielite.
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Merval Pereira citou o livro Futuro Ancestral, de Krenak, que trata da preservação dos rios como forma de conservar o futuro. “Os rios já estavam aqui antes de a gente chegar. Esta visão da natureza, do homem junto com a natureza, é que a gente está reforçando com esse grande escritor e intelectual indígena”.
A acadêmica Rosiska Darcy classificou a eleição de Krenak como histórica. “Não só para Academia, como para o Brasil, não há melhor substituto para um grande historiador do que a história encarnada, que é o Krenak. Krenak encarna hoje uma parte importante da história do Brasil. Estou muito feliz com a eleição dele”, manifestou a escritora.
A data de posse ainda não foi definida pelo novo imortal da ABL. A escolha é um acerto dele com a ABL.
Trajetória do primeiro indígena imortal da ABL
Ailton Krenak nasceu em 1953, na região do vale do rio Doce (MG), território do povo Krenak, um local afetado pela atividade de extração de minérios. Krenak é ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas. É comendador da Ordem de Mérito Cultural da Presidência da República e doutor honoris causa pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
Krenak organizou a Aliança dos Povos da Floresta, que reúne comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia e contribuiu para a criação da União das Nações Indígenas (UNI). É coautor da proposta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que criou a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, em 2005, e é membro de seu comitê gestor.
Nas décadas de 1970 e 1980, foi determinante para a conquista do “Capítulo dos índios”, o capítulo 8º na Constituição de 1988, que passou a garantir, no papel, os direitos indígenas à cultura e à terra. Entre os livros mais recentes, estão Ideias para adiar o fim do mundo (2019), A vida não é útil (2020), Futuro ancestral (2022) e Lugares de Origem (2021), escrito junto com Yussef Campos.
Em A vida não é útil, ele aborda a pandemia da covid-19 e diz: “Se durante um tempo éramos nós, os povos indígenas, que estávamos ameaçados da ruptura ou da extinção do sentido da nossa vida, hoje estamos todos diante da iminência de a Terra não suportar a nossa demanda”. Krenak valoriza a cultura indígena e mostra que a forma de lidar com a natureza e o mundo têm muito a ensinar a sociedades capitalistas. “Já vi pessoas ridicularizando: ele conversa com árvore, abraça árvore, conversa com o rio, contempla a montanha, como se isso fosse uma espécie de alienação. Essa é a minha experiência de vida. Se é alienação, sou alienado. Há muito tempo não programo atividades para depois. Temos de parar de ser convencidos. Não sabemos se estaremos vivos amanhã. Temos de parar de vender o amanhã”, diz em outro trecho do mesmo livro.
LITERATURA DA AMAZÔNIA
Pescador e artesão afamado no pequeno município de Peixe-Boi, Jandir Loureiro morava com a mulher, Maricota, num chalé construído com galhos e troncos de árvores, coberto por cavacos, quintal amplo e arborizado.
Costumava tarrafear no furo do Mortalha, no imenso rio de águas morenas, onde abundavam saborosos acarás.
Porém, o desentendimento com uma mulher desconhecida, durante a negociação para compra e venda de uma tarrafa, mudou profundamente a rotina do casal, levando Jandir à morte em menos de vinte e quatro horas, e abalando, de forma irreversível, a sanidade da mulher.
O que levou essas pessoas à destruição?
Feitiçaria? Maldição? Encantamento?
Descubra lendo este conto inspirado em lendas típicas da Amazônia.
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A partir de 1980, o filósofo começou a se dedicar exclusivamente à cultura e defesa da causa indígena no país. Veja os feitos e reconhecimentos marcantes de Ailton Krenak: 1985 - Núcleo de Cultura Indígena No ano de 1985, foi estabelecida uma organização não governamental chamada Núcleo de Cultura Indígena, da qual Ailton Krenak participou ativamente. A organização tem como objetivo principal a promoção e valorização da cultura indígena. Através de diversas iniciativas e programas, o Núcleo de Cultura Indígena trabalha para preservar e divulgar a herança cultural dos povos originários. 1987 - Direitos dos povos indígenas na Constituição Federal A Assembleia Nacional Constituinte de 1987 foi um marco na defesa dos direitos indígenas no Brasil, graças à Emenda Popular da União das Nações Indígenas. Em 4 de setembro de 1987, um discurso histórico mudou o rumo da política indígena na legislatura do Congresso Nacional. Assista ao vídeo aqui. O porta-voz do Movimento Indígena, Ailton Krenak, fez um pronunciamento contundente que reverberou por todo o país. Com um gesto simbólico de luto demarcado com uma pasta de jenipapo no rosto e um discurso brilhante, Krenak conseguiu mobilizar a opinião pública e os parlamentares na causa dos direitos indígenas. Esse ato decisivo levou à aprovação dos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988. 1988 - União dos Povos Indígenas Krenak foi um dos fundadores da União dos Povos Indígenas, uma organização criada com o objetivo de representar os interesses dos povos indígenas no cenário nacional. A organização desempenhou um papel crucial na defesa dos direitos indígenas e na promoção de sua cultura e tradições. No ano seguinte, em 1989, ele participou da formação da Aliança dos Povos da Floresta, movimento cujo objetivo era a demarcação de reservas naturais na Amazônia, onde os povos indígenas poderiam manter sua subsistência econômica através do extrativismo. 2016 - Honoris Causa pela UFJF A Universidade Federal de Juiz de Fora foi a primeira universidade a outorgar a titulação de Honoris Causa ao líder indígena. “A UFJF avança com um sinal importante para outras universidades, especialmente as públicas, acerca da importância de integrar conhecimentos que não são os dos cânones ocidentais que orientaram até hoje a história brasileira. Diferentes saberes estão sendo integrados como recursos, e isso é fundamental”, disse o escritor em 2016. 2020 - Vencedor do Prêmio Juca Pato A União Brasileira de Escritores (UBE) anunciou Ailton Krenak como o vencedor do 62º Troféu Juca Pato. O autor do livro “Ideias para adiar o fim do mundo” (2019) concorrido com outros grandes autores na época como Djamila Ribeiro, Eliane Brum, Laurentino Gomes e Maria Valéria Rezende. O Troféu Juca Pato é um reconhecimento ao “Intelectual do Ano”, concedido à personalidade que se destacou em qualquer área do conhecimento e que contribui para o desenvolvimento e prestígio do país, na defesa dos valores democráticos e republicanos, de acordo com a UBE. 2022 - Eleito para a Academia Mineira de Letras Ailton Krenak foi eleito para ocupar a cadeira de número 24 da Academia Mineira de Letras ao receber 36 dos 39 votos possíveis, consolidando sua posição na academia que estava vaga desde o falecimento do escritor e jornalista Eduardo Almeida Reis. A eleição ocorreu em 2020 na sede da Academia Mineira de Letras, marcando um novo capítulo na história literária de Minas Gerais. 2023 - Primeiro indígena a ocupar a ABL Agora, a história ganha mais um capítulo. Ailton Krenak foi eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras no dia 5 de outubro de 2023, sendo a primeira personalidade indígena a conquistar uma posição de prestígio na instituição, ocupando a cadeira de n° 5, vaga desde o falecimento de José Murilo de Carvalho.
LITERATURA DA AMAZÔNIA
“TREZOITÃO – O latifúndio é implacável” é um romance político sobre jornalistas, policiais, pistoleiros, ativistas ambientais e militantes políticos na Amazônia. É ambientado em Belém (PA) e Macapá (AP).
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FICHA TÉCNICA DO E-BOOK
Autor: Emanoel Reis
Jornalista, Publicitário e Teólogo
Macapá – Amapá
Editora: MetaCom
Formato: 15 X 21 cm
N° de páginas: 280
E-mail: emanoelreis50@yahoo.com.br
Site: metacomsite.wordpress.com





