LITERATURA

Obra publicada pelo Senado revela segredos e bastidores curiosos da formação cultural do Amapá

Publicada pelo Senado Federal com apoio institucional, a obra de 140 páginas investiga lendas, bastidores políticos e personagens anônimos, fortalecendo a preservação da rica identidade cultural do povo amapaense

Celebrando a identidade amapaense, o jornalista Renivaldo Costa lança obra com relatos inéditos e marginalizados pela historiografia tradicional. Garanta seu exemplar impresso no evento ou baixe a versão digital — Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
25/06/2026 | 18h53

O jornalista, escritor e pesquisador Renivaldo Costa lançou em Macapá, na quinta-feira, 25 de junho de 2026, no Salão Di Vetro, seu mais novo livro, intitulado “As Histórias da História do Amapá – Relatos e Memórias que Não Estão nos Livros Oficiais”, com o objetivo de resgatar episódios ocultos, lendas e personagens marginalizados pela historiografia tradicional. Publicada pelo Conselho Editorial do Senado Federal, a obra de 140 páginas chega ao público com apoio político e institucional do mandato do senador Randolfe Rodrigues, da Prefeitura e da Câmara Municipal de Macapá. O evento reunirá pesquisadores, autoridades, jornalistas e entusiastas da cultura regional, funcionando como um divisor de águas para a preservação da identidade amazônica ao democratizar o acesso à leitura, já que o livro está disponível gratuitamente em formato digital e terá exemplares impressos distribuídos no local.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

A importância de trazer à luz essas narrativas periféricas reflete o desejo profundo do autor de conectar o Amapá contemporâneo às suas raízes mais esquecidas. “A memória de um povo não está guardada apenas em documentos mofados ou arquivos cartoriais. Ela pulsa com força nas conversas de beira de rio, nos causos transmitidos de geração em geração e nos acontecimentos cotidianos que sobrevivem na lembrança coletiva”, afirma Renivaldo Costa. O pesquisador explica que seu trabalho foi escutar os silêncios da história tradicional, transformando o livro em um mosaico de um Amapá múltiplo, humano e essencialmente surpreendente, que muitas vezes foi negligenciado pelos grandes centros urbanos e pelos registros didáticos formais.

Utilizando uma linguagem envolvente e rigorosa pesquisa documental e oral, Costa estruturou o livro em capítulos que capturam o imaginário e a geopolítica da região. Um dos relatos mais fascinantes resgatados pelo jornalista é a emblemática e quase surreal trajetória da República do Cunani. Trata-se de um Estado independente que existiu muito mais na mente febril de aventureiros franceses do que na geografia real da Amazônia. O suposto país chegou a possuir bandeira própria, moeda, ministérios funcionando diretamente em Paris e até um presidente vitalício que sequer chegou a pisar em solo amapaense, ilustrando a cobiça e o exotismo com que a região era vista na Europa.

Em outra vertente histórica, o livro recupera um período sombrio e pouco explorado pelos currículos escolares: a tentativa de infiltração nazista na região do Jari durante a década de 1930. A publicação detalha a expedição alemã liderada por Joseph Greiner, cujo plano era estabelecer uma colônia estratégica do Terceiro Reich na floresta. A odisseia, contudo, fracassou de forma retumbante diante das barreiras geográficas intransponíveis, do clima severo e das dificuldades naturais impostas pela própria selva amazônica, que acabou por rechaçar o projeto totalitário europeu.

A obra também passeia por sonhos urbanísticos que moldaram a paisagem de Macapá, como o ousado projeto previsto no primeiro plano diretor do antigo Território Federal. A proposta ambicionava erguer um monumento monumental exatamente no ponto de intersecção entre a Linha do Equador e o monumental Rio Amazonas, uma “esquina do mundo” que acabou nunca saindo do papel. Há espaço, ainda, para a reconstituição detalhada do Contestado Franco-Brasileiro, o violento conflito diplomático e militar que colocou o Brasil e a França em lados opostos pela posse de terras amazônicas, transformando a figura histórica de Cabralzinho em um herói de projeção nacional.

Além dos embates territoriais, o livro se debruça sobre as memórias da educação pública no antigo território, a trajetória do Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA) e as dolorosas lembranças da Colônia Penal de Clevelândia do Norte. As comunidades tradicionais ganham voz com os relatos sobre o Curiaú, acompanhados de perfis afetivos de figuras que se tornaram patrimônios vivos da cultura amapaense, como Fernando Canto, Hélio Pennafort, o curandeiro Sacaca, Elson Martins e Sulamir Monassa.

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Prefaciado pelo senador Randolfe Rodrigues, que também preside o Conselho Editorial do Senado, o volume é celebrado como um ato de justiça poética e histórica. Para Rodrigues, o mérito de Renivaldo Costa está em recuperar aquilo que as instituições oficiais deixaram deliberadamente à margem ao longo dos séculos. O livro passa a integrar de forma permanente o catálogo oficial da Livraria do Senado. Os leitores de fora de Macapá poderão adquirir a versão física com frete gratuito para todo o país ou realizar o download gratuito do formato digital, garantindo que o conhecimento sobre o Amapá ultrapasse as fronteiras do próprio estado.

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