Esquecido, o Menestrel Maldito tem pouca lembrança da sua importância
Foto: Divulgação

Aos 83 anos, o menestrel – como prefere ser chamado – continua ácido e um tanto quanto amargo, principalmente com a política do país e com o ostracismo
Em um dos diversos vídeos que já publicou no YouTube, Juca Chaves explica aos incautos o que é menestrel, ofício que sempre reivindica quando perguntado sobre o que de fato faz. Piadista talvez fosse chulo, humorista talvez não abrangesse seus múltiplos talentos, artista talvez fosse muito geral. Ele prefere menestrel. Mas a verdade é que Juca poderia ser definido de qualquer um desses jeitos, sim. Ele se apresenta como Brad Pitt, para tirar sarro da baixa estatura e das feições que fogem do visual de galã. No ato já emenda duas ou três piadas impublicáveis e segue para a mesa sem tropeçar nos tantos trocadilhos.

Juca Chaves é o nome artístico de Jurandyr Chaves, alguém que também ficou conhecido como Menestrel Maldito. Fez jus, ao longo do tempo, a todas as denominações, menos a “Nasal Sensual”, um exagero da parte dele. Nasal sim, sensual nunca.
Ou, como preferia, o Juquinha, aquele que tinha sempre os seus shows lotados e ingressos intensamente disputados, nas várias temporadas em nossos teatros e alguns lá de fora.
Desde o início dos anos 1960, sua música e o humor ácido contra os políticos de todos os partidos pautaram sua carreira.

Ainda recentemente, teve um teatro com seu nome em São Paulo, mas as manobras da vida acabaram desviando o caminho.
O destino, de maneira cruel, resolveu pregar uma peça, e um problema de saúde o obrigou a parar com tudo. Interromper a sua obra.
Tentando superar, com grande esforço, esse primeiro baque, veio um segundo, para acometê-lo de maneira irremediável.
Aos 83 anos, cada dia menos as lembranças da vida lhe são memoráveis.
E, cada dia mais, o cruel desaparecimento da memória o persegue.




