Repetidas viagens de ministros ao exterior geram polêmica e descontentamento. Lula cobra foco em agendas nacionais

Idas recentes de titulares para Estados Unidos e Europa acenderam alerta no Planalto sobre deslocamentos internacionais de integrantes do primerio escalão do governo petista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou desconforto com as viagens internacionais dos ministros e determinou que os membros do primeiro escalão fossem orientados a evitar saídas ao exterior ou, pelo menos, que as avaliassem com mais rigor. Lula quer que seus auxiliares foquem em agendas nacionais, percorrendo o país e defendendo o governo às vésperas do início da campanha para as eleições municipais.

Um levantamento do jornal “O Globo”, baseado em dados do Painel de Viagens, mostrou que, no total, os ministros realizaram 207 viagens internacionais desde o início do mandato, em janeiro de 2023. Em algumas dessas viagens, no entanto, dois ou mais ministros podem ter participado de um mesmo evento. Excluindo o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, os demais passaram, em média, 27 dias fora do Brasil.
A mensagem de Lula foi transmitida pela Casa Civil, que enfatizou a importância de focar no lançamento de ações das pastas, o que pode beneficiar eleitoralmente os candidatos a prefeito alinhados ao Planalto.

A responsável por essa orientação é a secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior, e o recado também é reforçado por membros do gabinete da Presidência, liderado por Marco Aurélio Marcola. Estão fora desse escopo ministros que Lula quer que circulem pelo mundo, como Fernando Haddad (Fazenda) e Carlos Fávaro (Agricultura), e aqueles que só viajam por ordem do presidente, como Rui Costa (Casa Civil) e o vice-presidente Geraldo Alckmin, também responsável pela pasta de Indústria e Comércio.
Ministros de Lula e do STF terão passagens aéreas semanais garantidas
PODER360
26.nov.2023 (domingo) – 6h05
O governo deseja incluir no Orçamento de 2024 o pagamento de passagens aéreas semanais para os 38 ministros de Estado na Esplanada e para os 11 magistrados do Supremo Tribunal Federal. Não será necessário justificar a viagem com algum compromisso de trabalho. Ou seja, essas passagens poderão ser usadas para o lazer dos ministros, usando os bilhetes para retornar para seus Estados de origem.
Eles já podem utilizar passagens custeadas pela União no “estrito interesse do serviço público”. Na prática, quando há alguma agenda de trabalho fora de Brasília. Uma emenda à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), entretanto, permite que esse direito seja ampliado.
O conceito de “estrito interesse do serviço público” é modificado para: “No estrito interesse do serviço público, nele compreendido o transporte entre Brasília e o local de residência de origem de membros do Poder Legislativo, ministros do Supremo Tribunal Federal e ministros de Estado”.
A possibilidade de criação desse benefício havia sido antecipada pelo Poder360 em 18 em julho de 2023. A ideia de incluir a despesa no Orçamento –o valor ainda não é conhecido– foi do governo, segundo afirmou a assessoria do senador Randolfe Rodrigues. Ou seja, a proposta tem o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Uma passagem de ida e volta para Brasília em alguns casos pode custar de R$ 4.000 a R$ 5.000, a depender do destino e da antecedência com que é feita a compra. Quando se compra a passagem de última hora, como a maioria dos ministros, a maioria dos bilhetes sai por esse valor mais alto.
O salário dos 38 ministros de Estado de Lula e dos 11 ministros do STF é de R$ 41.650,92. De acordo com o Portal da Transparência, o 1º escalão de Lula consegue, na maioria dos meses, receber cerca de R$ 38.000 líquidos, contando com remunerações extras.


Ele contou tudo que sabia, e até o que dizia que sabia, e agora foi tudo anulado pelo Toffoli? O ex-juizão prevaricou?
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