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Denúncias de fraudes e superfaturamento no Recife abalam favoritismo eleitoral de João Campos

Investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas sobre fraudes e superfaturamento na prefeitura do Recife abalam a imagem de eficiência de João Campos, enquanto o escândalo “Fura-Fila” e suspeitas de tráfico de influência desgastam sua pré-candidatura

Ex-prefeito do Recife, João Campos enfrenta queda nas pesquisas e desgaste na imagem pública após a exposição de investigações sobre supostos desvios éticos e fraudes em sua gestão municipal — Foto: Rodolfo Loepert/Prefeitura do Recife

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
31/05/2026 | 16h05

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), assumiu a liderança na corrida sucessória estadual ao atingir 51% das intenções de voto em um eventual segundo turno, superando o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), que recuou para 44%. O avanço foi consolidado na última pesquisa Datafolha divulgada em maio, motivado pela acelerada aprovação da gestão da chefe do Executivo e pelo desgaste político de seu adversário, envolvido em escândalos administrativos recentes na capital pernambucana. O resultado reconfigura o cenário eleitoral do estado antes mesmo do início oficial da campanha, invertendo a folga que o pessebista ostentava no mês anterior, quando vencia a disputa simulada por 52% a 42%.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

A guinada nas pesquisas surpreendeu analistas de opinião pública pela rapidez, embora o crescimento de governantes no ano eleitoral seja um movimento previsto devido ao uso político e administrativo da máquina pública estatal. Em apenas trinta dias, Raquel Lyra experimentou uma ascensão de nove pontos percentuais, impulsionada por uma melhora expressiva nos índices de sua administração. De forma simétrica, João Campos viu seu favoritismo encolher oito pontos, um revés atribuído tanto ao surgimento de graves denúncias ligadas ao período em que comandou a prefeitura do Recife quanto ao desgaste estratégico de sua imagem pública.

Apontado inicialmente como uma das principais promessas de renovação da esquerda em âmbito nacional, o ex-prefeito passou a enfrentar resistências internas em seu próprio campo político. A decisão de vincular fortemente sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criticada por setores da ala socialista, que enxergam na figura presidencial um símbolo de anacronismo ideológico capaz de sufocar o surgimento de novas lideranças. Esse alinhamento automático reduziu o espaço de manobra do pessebista para projetar uma identidade política independente e moderna, deixando-o vulnerável ao desgaste que atinge as forças partidárias tradicionais.

No plano doméstico, a situação de João Campos agravou-se com a exposição de frentes de investigação conduzidas pelo Ministério Público de Pernambuco e pelo Tribunal de Contas do Estado. As apurações lançam suspeitas de fraudes e desvios éticos sobre a prefeitura do Recife, afetando o discurso de eficiência administrativa que sustentava a pré-candidatura do político. Entre os episódios mais sensíveis está o suposto escândalo batizado de “Fura-Fila”, alvo de pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal, destinado a averiguar fraudes e tráfico de influência em um concurso público para o cargo de procurador do município, onde uma alteração de classificação teria beneficiado o filho de um magistrado.

Somam-se ao cenário de crise os relatórios emitidos pelo Tribunal de Contas que apontam indícios substanciais de sobrepreço e superfaturamento em contratos de compras públicas. O foco das auditorias recai sobre a aquisição de livros e materiais didáticos voltados para os professores da rede municipal de ensino, além de supostas irregularidades em contratos destinados à manutenção de prédios públicos da capital. As suspeitas de uso indevido da estrutura governamental motivaram pedidos de impeachment contra o então prefeito na Câmara dos Vereadores, iniciativas que acabaram rejeitadas graças à maioria mantida por sua base de apoio político no parlamento municipal.

A crise institucional da gestão pessebista ganhou contornos ainda mais graves com um episódio de suposta espionagem clandestina, hoje sob a responsabilidade da Polícia Federal. A investigação apura o monitoramento ilegal e a instalação de rastreadores veiculares no automóvel oficial utilizado pelo secretário municipal de Administração, uma ação que teria contado com o envolvimento direto de agentes da Polícia Civil do Estado. O caso aprofundou o clima de instabilidade e minou a coesão interna do grupo político de João Campos, fornecendo farto material de desgaste explorado pela oposição.

Enquanto o ex-prefeito tenta conter os danos provocados pelas investigações e reavaliar sua estratégia de alianças, Raquel Lyra consolida sua posição na vanguarda da disputa. Com a estrutura do governo estadual operando em favor de sua reeleição, a governadora conseguiu capitalizar a melhora dos serviços públicos e a entrega de obras em um curto intervalo de tempo, atraindo o eleitorado moderado e convertendo a desaprovação passada em intenções de voto concretas. O novo arranjo de forças indica que a sucessão em Pernambuco será definida pela capacidade de resposta de João Campos aos questionamentos jurídicos e pela sustentabilidade do crescimento político da atual governadora.

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