Jantar na casa de Lucas Barreto foca na aprovação de Jorge Messias ao STF
Senadores discutem manobra para levar indicação de Jorge Messias direto ao plenário e evitar travas na CCJ após jantar reservado

DA REDAÇÃO
Com informações de O GLOBO
09/04/2026 | 14h04
A residência do senador amapaense Lucas Barreto (PSD), no Lago Sul, em Brasília, tornou-se o epicentro das articulações políticas para o Supremo Tribunal Federal na última quarta-feira. O parlamentar abriu as portas de sua casa para sediar um jantar estratégico que reuniu cerca de 40 senadores, servindo de palco para o advogado-geral Jorge Messias pavimentar sua aprovação à vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

O ambiente, que mesclou cortesia e negociação técnica, permitiu a Messias mapear resistências tanto na base aliada quanto na oposição, especialmente com foco na futura sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A anfitriandade de Barreto facilitou um diálogo mais fluido: nos corredores da residência, ganhou corpo a proposta de blindar a indicação contra manobras de obstrução. Senadores chegaram a sugerir que, caso surjam tentativas de travar o processo no colegiado, o nome de Messias seja submetido imediatamente ao plenário do Senado, garantindo celeridade ao rito de sucessão na Suprema Corte.

“Diante de possíveis travas
na CCJ, senadores sugerem
levar a indicação de Jorge
Messias diretamente para a
votação no plenário da Casa.”
O clima de descontração não escondeu a urgência do Planalto. Entre as conversas ao pé do ouvido, parlamentares garantiram que o nome do atual Advogado-Geral da União (AGU) será aprovado, apostando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, formalizará o rito ainda nesta semana. A pressão sobre Alcolumbre foi um dos temas recorrentes; senadores avaliam que ele não terá espaço para segurar a votação por muito tempo, dada a necessidade de preencher a lacuna na Suprema Corte e pacificar a relação entre os poderes.

A surpresa da noite ficou por conta do pragmatismo de alguns parlamentares da direita. Embora pressionados por suas bases eleitorais para rejeitar qualquer nome ligado ao petismo, o raciocínio nos corredores do Lago Sul foi estratégico: o receio de que uma eventual rejeição de Messias abra caminho para uma indicação considerada ainda mais ideológica por parte de Lula. Em tom de ironia, a possibilidade de uma nomeação da deputada Gleisi Hoffmann foi citada como o cenário que a oposição deseja evitar, o que acaba conferindo a Messias uma aura de “perfil moderado” dentro das opções do governo.

“Parlamentares da oposição
avaliam que, se rejeitarem
Messias, Lula pode indicar
um nome ainda mais radical,
como o de Gleisi Hoffmann.”
Jorge Messias manteve o tom sereno e republicano ao longo de toda a noite. Evitou confrontos e reforçou aos que o cercavam o sentimento de privilégio pela indicação, demonstrando ansiedade por um desfecho rápido. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado como o provável relator da indicação, também circulou pelo ambiente, sinalizando que a construção do parecer técnico já está em fase de maturação.

Um dos momentos mais tensos dos diálogos envolveu a estratégia de contenção contra a oposição radical. Senadores discutiram abertamente a possibilidade de saltar etapas caso o quórum na CCJ seja sabotado. A sugestão de levar a votação diretamente ao plenário do Senado foi ventilada como uma solução de força para evitar o desgaste de um adiamento indefinido. Essa manobra, embora regimentalmente complexa, demonstra a disposição da base aliada em não permitir que a indicação se torne refém de táticas de obstrução.

“No jantar, a percepção era
de que o Congresso deve
derrubar o veto de Lula ao
projeto sobre as penas do
8 de janeiro para pacificar.”
Além do STF, o jantar serviu como termômetro para outra votação sensível: o veto presidencial ao projeto que trata da dosimetria das penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A percepção geral entre os 40 presentes é de que o veto de Lula tem poucas chances de sobrevivência. A derrubada é vista por muitos senadores como um gesto de “pacificação” necessário para aliviar as tensões políticas no Congresso, indicando que o governo pode sofrer uma derrota nesta pauta para, em troca, garantir a cadeira de Messias na mais alta corte do país.

Ao final da noite, a avaliação no entorno de Messias era de otimismo. O ministro deixou o Lago Sul convencido de que, apesar do barulho das redes sociais, o corpo a corpo com os senadores construiu uma margem de segurança confortável. A estratégia de Lula de indicar um perfil de confiança e bom trânsito no Legislativo parece estar surtindo efeito, transformando o que poderia ser uma batalha campal em uma negociação de alto nível entre as paredes das mansões de Brasília.





Ele contou tudo que sabia, e até o que dizia que sabia, e agora foi tudo anulado pelo Toffoli? O ex-juizão prevaricou?
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