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Analistas apontam Janja e Flávio Dino como candidaturas emergentes ao Palácio do Planalto

Os dois são vistos como apoiadores de Lula, mas também se destacam como líderes de projetos políticos próprios no campo progressista; isso causa tensões na esquerda e questiona a liderança de Lula

Lula compartilha com a mulher informações reservadas concernentes às suas funções como presidente


Analistas e políticos estão observando os nomes de Rosângela Lula da Silva (Janja) e Flávio Dino como possíveis candidaturas ao Palácio do Planalto, com o apoio de Lula. Embora ambos estejam ajudando na reeleição de Lula, também estão se destacando em seus próprios projetos, o que desafia a estratégia política dele. Esse destaque gera ruídos dentro da esquerda e sugere que Lula pode estar perdendo parte de sua liderança.
No dia 19 de dezembro de 2024, em uma live, Lula comentou sobre o papel ativo de Janja na política desde que estavam juntos durante sua prisão. Ele enfatizou que Janja não precisa de um cargo para ser importante. Janja afirmou que vivem bem juntos, apesar de estarem em times diferentes, após um desentendimento público durante o G20 no Rio de Janeiro.

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Janja forma equipe própria e garante apoio jurídico diante de resistência no PT

Ela possui 12 profissionais trabalhando com ela, incluindo assessores de imprensa e segurança, com despesas que somam R$ 1,2 milhão em viagens e R$ 160 mil mensais em salários. A Secretaria de Comunicação não discute esses números, apenas afirma que as funções são legais. Janja trabalha em um escritório pequeno no Palácio do Planalto e queria um gabinete próprio desde o início, mas foi barrada inicialmente por questões de nepotismo. Ela destacou em entrevista que o machismo no Brasil a impede de ter uma estrutura formal, embora outras primeiras-damas tenham. Recentemente, Janja se tornou uma figura influente no governo, construindo uma rede de apoio entre advogados e aliados.

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Análise aponta inconsistências nos gastos atribuídos ao protagonismo de Janja

A primeira-dama do Brasil parece governar junto com o marido — Foto: Divulgação

Disposta a romper com o estereótipo de primeira-dama, Janja atua em políticas públicas e na promoção da imagem do governo em eventos e viagens. Sua participação direta em eventos no Brasil e no exterior, com ou sem Lula, suscita questões sobre sua legitimidade e os custos envolvidos.
Ela chefiou uma comitiva na Olímpiada de Paris e organizou o evento paralelo ao G20, chamado Janjapalooza. Janja nega querer se candidatar, mas participa ativamente de pautas como igualdade de gênero e combate à fome, apoiando candidaturas femininas em 2024. Pesquisas indicam rejeição à sua atuação, e ela apresenta divergências com a Secom, centralizando informações sobre Lula, especialmente durante sua internação em dezembro.


A posse de Dino no STF marca uma nova fase em sua carreira política aos 55 anos

Antes, como ministro da Justiça, ele poderia se apresentar como uma liderança alternativa a Lula. Agora, no Supremo, seu papel político-partidário parece ter diminuído e as chances de ele disputar eleições enquanto estiver no cargo parecem remotas. No entanto, nos primeiros meses como juiz, Dino mostrou compromisso com pautas do governo e desenvolveu uma agenda própria.
Desde agosto de 2024, ele suspendeu parte dos pagamentos de emendas do Orçamento da União, criticando a “balbúrdia” no uso do dinheiro público e pedindo mais transparência. Suas ações beneficiam o governo ao colocar a liberação de emendas sob controle do Executivo e atraem apoio para a transparência e combate à corrupção. Além disso, isso enfraquece o Centrão, grupo que Lula precisa para aprovar propostas no Congresso.


Atuação de Dino garante vitórias importantes para o governo lulo-petista em 2024

Foto: Reprodução/Instagram

Enquanto esteve no Executivo, Dino se destacou na mídia por sua atuação na segurança pública, censura em plataformas digitais e defesa de grupos vulneráveis, gerando especulações sobre suas ambições políticas.

No ano passado, Flávio Dino apoiou ações do governo que permitiram a Lula abrir crédito extraordinário para combater incêndios na Amazônia e no Pantanal, chamando a situação de “pandemia” ambiental. Essa medida possibilitou gastos fora do marco fiscal, permitindo que o STF intervenha rapidamente em problemas complexos do Executivo.

Protagonismo de Dino e Janja gera debates entre analistas políticos

Paulo Kramer, cientista político, acredita que Dino e Janja estão buscando poder pessoal, especialmente Dino, que quer herdar a liderança de Lula. Porém, não está claro se isso é suficiente para que ele suceda Lula na Presidência.

No entanto, ele continua relevante na política devido a investigações em andamento. Quanto a Janja, Deois menciona seu papel em pautas governamentais, mas alerta para críticas que podem ser influenciadas pelo machismo.

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