Senado elege Davi Alcolumbre como presidente com respaldo de diversas lideranças políticas
Senador era tido como favorito desde 2024 e reuniu maioria ampla de apoios. Alcolumbre é visto como ‘conciliador’ – o que também pode significar mais espaço para a oposição a Lula

O senador Davi Alcolumbre (União-AP) foi eleito para presidir o Senado Federal por um período de dois anos, recebendo 73 votos. Ele assume o cargo que já ocupou de 2019 a 2021, sucedendo Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A vitória, amplamente prevista nas semanas anteriores, contou com o apoio de dez partidos, incluindo PT e PL, o que fortalece sua posição no cenário político do país.

A eleição de Alcolumbre, realizada no sábado, 1º de fevereiro, é encarada como um fortalecimento de pautas importantes, particularmente para o Amapá, como o desenvolvimento econômico e a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Antes mesmo da finalização da votação, Alcolumbre conversou por telefone com o presidente Lula, intermediado por Randolfe, e já tem uma reunião agendada para os próximos dias. O encontro deve pautar temas de interesse nacional e local, consolidando o papel estratégico do senador na articulação entre o Legislativo e o Executivo.

A trajetória política de Alcolumbre na presidência do Senado começou em 2019, quando liderou a Casa pela primeira vez. Em 2021, apoiou a eleição de Pacheco como sucessor e, desde então, vinha articulando seu retorno ao cargo. Com uma das votações mais expressivas da história do Senado, ele reforça sua posição como uma das figuras políticas mais influentes do Amapá e do Brasil.

Parlamentar molda projetos legislativos e se torna referência na alocação de emendas
Uma disposição da Constituição, confirmada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), impediu que Alcolumbre se candidatasse novamente em 2020. Essa regra estabelece que os presidentes da Câmara e do Senado têm a possibilidade de buscar a reeleição logo após uma eleição geral, ou seja, quando novos deputados e senadores assumem. Contudo, eles não podem concorrer à reeleição na votação que ocorre no meio da legislatura.
Diante disso, Alcolumbre apoiou a eleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como seu sucessor. Pacheco teve a oportunidade de concorrer à reeleição e ocupou o cargo de 2021 a 2025. Nos últimos quatro anos, Alcolumbre presidiu a comissão mais relevante da Casa, a de Constituição e Justiça (CCJ).

Ele manteve um papel central no legislativo, atuando como uma espécie de “primeiro-ministro” – sendo o braço direito de Pacheco – ao influenciar a pauta dos projetos e coordenar a alocação de emendas parlamentares.
As emendas são despesas sugeridas por deputados e senadores em seus círculos eleitorais, sob a forma de projetos e construções.
Alcolumbre assume a presidência do Senado em um momento em que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), exige mais clareza no processo de indicações, particularmente no que diz respeito às emendas de comissão, oriundas do denominado “orçamento oculto”.

Na sua administração inicial, Alcolumbre se empenhou para aumentar o volume de emendas e dar ao Congresso mais controle sobre uma parcela maior do orçamento federal.

