Alvo de buscas e apreensões da Polícia Federal em megaesquema que apura fraudes licitatórias e desvios milionários da previdência de Macapá, o ex-prefeito Antônio Furlan tenta conter danos à sua pré-campanha ao se dizer vítima de perseguição política
O ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), recentemente afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo em que nega veementemente seu envolvimento em um megaesquema de corrupção supostamente montado por ele nos porões da Prefeitura e se diz vítima de perseguição política articulada pelo governador Clécio Luiz (União) e senadores do Amapá. A gravação, que rapidamente viralizou, é uma tentativa estratégica do ex-gestor de conter os danos à sua pré-campanha ao governo do Estado, após a Polícia Federal deflagrar, no último 26 de maio, a operação Palanque Digital em Macapá e Belém do Pará para apurar desvios de recursos públicos na capital amapaense.


No vídeo, Furlan expressa indignação e afirma que a suposta crise política é de fácil explicação, atribuindo o cenário ao grupo do governador, que, segundo ele, domina o Amapá há mais de 30 anos. Contudo, analistas apontam que a narrativa omite a própria trajetória do ex-prefeito. Furlan iniciou sua carreira política como deputado estadual justamente apoiando o então governador Waldez Góes (PDT) — que governou o estado por quatro mandatos e entregou as finanças locais em situação devastadora. Mais do que um mero apoiador, Furlan foi líder do governo Waldez na Assembleia Legislativa, escolhido a dedo para defender os interesses daquela gestão, o que o coloca no centro do contexto histórico que hoje ele tenta distorcer para se apresentar ao eleitorado como um fato novo na política amapaense. Essa estratégia discursiva visa apagar sua responsabilidade direta nas alianças que moldaram a estrutura pública do estado por décadas. Ao se posicionar como um estranho ao sistema que ele mesmo ajudou a sustentar e proteger no parlamento, o ex-gestor tenta capitalizar a insatisfação popular. Essa manobra antiga, fundamentada no esquecimento seletivo, busca unicamente enganar eleitores desavisados e criar uma falsa imagem de renovação diante das graves denúncias.

Apesar de se posicionar publicamente como um político honesto e injustiçado por uma suposta trama de seus adversários, o ex-prefeito enfrenta um cenário jurídico complexo decorrente de investigações que se acumulam desde 2024. As diligências da Polícia Federal resultaram em buscas apreensões em sua residência e gabinetes, onde agentes recolheram documentos e aparelhos celulares. O material apreendido integra um inquérito considerado robusto pelas autoridades, que aponta para a prática de fraudes licitatórias e desvio de verbas destinadas a obras estruturantes da capital, incluindo a construção do Hospital Municipal de Macapá.

Além do caso do hospital, pesam contra o ex-gestor denúncias ainda mais graves, como o suposto desvio de mais de R$ 300 milhões da Macapá Previdência (MacapáPrev). A postura de Furlan diante das evidências acumuladas pela Justiça Federal tem sido classificada por opositores e observadores políticos como dissimulada, caracterizada por uma negação sistemática de fatos documentados e por uma tentativa de transferir a culpa de seus problemas jurídicos para terceiros. Aliados do ex-prefeito chegaram a disseminar rumores nas ruas de que o governo estadual teria financiado a operação da Polícia Federal, uma acusação que carece de provas e que é vista por especialistas como uma cortina de fumaça.

A gravidade das acusações e o comportamento do político amapaense começam a gerar comparações no debate público com o histórico de Richard Nixon, o ex-presidente dos Estados Unidos que renunciou na década de 1970 em meio ao Escândalo de Watergate após tentar encobrir atividades criminosas e espionagem política. Especialistas jurídicos e políticos ouvidos pelo portal AMAZÔNIA VIA AMAPÁ avaliam que Furlan se encontra em um beco sem saída institucional. A iminência de desdobramentos ainda mais severos, como o cumprimento de ordens de prisão preventiva pela Polícia Federal a qualquer momento conforme o avanço das investigações, coloca a pré-campanha do ex-prefeito sob forte pressão e ameaça redesenhar o cenário eleitoral do estado para os próximos meses.

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