Cine Macapá: a história deprimente de um cinema que já foi o coração da diversão na capital amapaense

No cruzamento da avenida Raimundo Álvares da Costa com a rua Tiradentes, no coração de Macapá, ergue-se um esqueleto que teima em desafiar o tempo. O antigo Cine Macapá, que por décadas foi o palco dos sonhos e encontros da capital amapaense, hoje é um doloroso símbolo do descaso com a memória e o patrimônio histórico da cidade. Suas paredes, antes vibrantes de vida e luz, estão agora desgastadas, exibindo a melancolia do abandono



Em 1959, em uma Macapá que crescia e ansiava por lazer e cultura, um novo edifício se erguia para se tornar um dos seus maiores símbolos: o Cine Macapá. Localizado estrategicamente no cruzamento da avenida Raimundo Álvares da Costa com a rua Tiradentes, este cinema de rua marcou a vida de gerações de amapaenses. Hoje, mais de seis décadas depois de sua inauguração e em meio a ruínas recentes, a sua história ecoa como um apelo urgente pela preservação da memória cultural da cidade.

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CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis
EDITORIALEDITORIAL8 de fevereiro de 2010Emanoel Reis
Há quase vinte anos, o telhado cedeu sobre o enorme salão onde antes existiam dezenas de cadeiras à frente de um grande telão — Foto: Emanaoel Reis

O esplendor da arquitetura e da cultura
A ideia de criar um grande cinema popular na capital do Amapá começou a se materializar em 1958, quando a construção do prédio foi iniciada. A visão pertencia à Família Cruz, sendo Guilherme Cruz o proprietário original, em sociedade com seus irmãos Fernando e Humberto Cruz. Com uma arquitetura que flertava com o protomodernismo, o Cine Macapá era um imponente prédio de pedra, com capacidade para 300 pessoas.
Por mais de duas décadas, o cinema foi muito mais que uma sala de projeção; foi um vibrante ponto de cultura, lazer e encontro social. Os filmes, as filas e os encontros criaram um tecido social que enraizou o Cine Macapá na identidade macapaense, tornando-o um verdadeiro marco cultural da cidade.

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O apagar das luzes: crise e abandono
Infelizmente, a glória do cinema de rua não resistiu às transformações da indústria cinematográfica e à realidade econômica nacional. A partir de meados da década de 1980, o Cine Macapá começou a enfrentar sérias dificuldades, impulsionadas pela crise que se abateu sobre o cinema brasileiro, afetando diretamente a distribuição e exibição de filmes.

O abandono levou a um desfecho triste, porém esperado: a estrutura começou a deteriorar-se com o passar do tempo — Foto: Emanoel Reis

Essa crise impiedosa levou ao inevitável: o encerramento das atividades do cinema. Com as luzes apagadas da tela, a vida cultural que fervilhava ali também cessou. O prédio, um dia símbolo de modernidade e entretenimento, deu início a um doloroso processo de degradação.
Após o fechamento, o imóvel tentou se reinventar, sendo ocupado em diferentes momentos como boate e academia. Essas adaptações, contudo, desfiguraram a fachada original e não trouxeram a vitalidade perdida. Com o fechamento da academia, o local foi tragicamente abandonado.

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A estrutura que cede, a memória que resiste
O abandono resultou em um desfecho lamentável, mas previsível: a estrutura começou a sucumbir ao tempo. Recentemente, a notícia de que parte do teto desabou chocou a comunidade e serviu como um alerta. As ruínas do Cine Macapá são hoje o retrato de um patrimônio negligenciado.
No entanto, o colapso físico parece ter reacendido uma forte chama cultural. Artistas, produtores e a comunidade local se uniram em uma busca incansável pela reabertura e revitalização do espaço.
Há projetos e propostas em curso para a requalificação total do imóvel. A meta é que o antigo Cine Macapá renasça como um vibrante centro cultural, deixando de ser uma ruína esquecida para se tornar um novo símbolo de resistência e cultura para a região.
O resgate do Cine Macapá é mais do que a recuperação de um prédio; é a afirmação da identidade cultural de Macapá e o reconhecimento de que a história da sétima arte na cidade não pode terminar em escombros.


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