Gestão de Clécio Luís no Amapá atinge 28% de aprovação em 2026, segundo pesquisa Real Time

O levantamento ouviu 2.000 eleitores amapaenses entre os dias 7 e 9 de fevereiro e apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos



A gestão de Clécio Luís (União-AP) à frente do governo do Amapá iniciou 2026 equilibrando uma aprovação de 28% com o desafio de converter a percepção de 48% do eleitorado que ainda enxerga sua administração como regular. Os dados, revelados pela pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada na terça-feira (10 de fevereiro), refletem um momento em que o Palácio do Setentrião acelera a entrega de obras estruturantes e programas sociais na tentativa de consolidar uma marca de eficiência. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o levantamento indica que a rejeição (ruim ou péssimo) se estabilizou em 20%, o que dá ao governo uma janela de oportunidade para trabalhar o grande contingente de eleitores que aguarda resultados mais concretos em áreas sensíveis como saúde e segurança pública.


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Nos últimos meses, o governo tem focado em destravar projetos de infraestrutura que impactam diretamente a mobilidade e o saneamento, gargalos históricos do estado. A pavimentação de trechos críticos e a manutenção de rodovias estaduais têm sido utilizadas como vitrine de uma gestão que se propõe “municipalista”, transferindo recursos e apoio técnico às prefeituras do interior. Segundo interlocutores do governo, essa estratégia visa descentralizar o desenvolvimento, hoje muito concentrado no eixo Macapá-Santana, levando serviços públicos para as comunidades mais isoladas da calha do rio Amazonas e do extremo norte.

Na área da saúde, um dos principais pilares de sustentação da imagem do governador tem sido a entrega e revitalização de unidades hospitalares, como o Hospital de Emergências e a expansão de policlínicas. A meta declarada é reduzir as filas de espera para procedimentos especializados e cirurgias eletivas, um dos maiores pontos de desgaste das gestões anteriores. Além disso, o programa de segurança pública foi reforçado com a entrega de novas viaturas, armamentos e o incremento no efetivo das forças policiais, visando combater o avanço de grupos criminosos organizados que pressionam a periferia da capital e as áreas portuárias.

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A pesquisa, que ouviu 2.000 eleitores de forma presencial entre os dias 7 e 9 de fevereiro, mostra que o governo Clécio goza de uma estabilidade considerável, mas enfrenta a barreira do “regular”. Para analistas políticos, esse índice sugere que, embora o eleitor não deseje uma ruptura drástica ou sinta uma indignação generalizada, ele ainda não percebeu a “transformação” prometida no palanque de 2022. O desafio para o restante do mandato será transformar os canteiros de obras em benefícios perceptíveis no bolso e na qualidade de vida do cidadão amapaense, especialmente em um cenário econômico de alta nos preços dos alimentos e energia, que impacta severamente o consumo das famílias de baixa renda no Norte do país.

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Outro ponto que o governo tenta capitalizar é a agenda ambiental e de desenvolvimento sustentável. Com a proximidade de grandes eventos globais sobre o clima e a posição estratégica do Amapá como o estado mais preservado do Brasil, Clécio Luís tem buscado atrair investimentos estrangeiros e parcerias com o governo federal para fomentar a bioeconomia. A ideia é gerar emprego e renda através da floresta em pé, incentivando o manejo do açaí e do extrativismo sustentável. “O Amapá não pode ser apenas um santuário ecológico; precisa ser um modelo de como a natureza preservada gera dignidade para o povo”, afirmou o governador em um evento recente de entrega de títulos de terra a pequenos produtores.

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Apesar do otimismo oficial, a oposição nas redes sociais e na Assembleia Legislativa aponta que o ritmo das entregas ainda é lento em comparação ao volume de recursos federais recebidos. A crítica recorrente é de que as melhorias demoram a chegar na ponta, especialmente no sistema educacional, onde a estrutura física de muitas escolas ainda é precária. O governo rebate as críticas alegando que herdou passivos financeiros e projetos mal elaborados que passaram por reformulação técnica para evitar o desperdício de dinheiro público.


O levantamento do Real Time Big Data, registrado no TSE sob o protocolo AP-07630/2026, serviu como um importante balizador para o planejamento estratégico do governo neste ano. Com 48% da população em uma zona de neutralidade, as ações dos próximos seis meses serão decisivas para definir se a aprovação de Clécio Luís irá subir em direção a uma reeleição tranquila ou se a insatisfação silenciosa do “regular” poderá migrar para o campo da rejeição. Até lá, o Palácio do Setentrião deve manter a política de “pé na estrada”, reforçando as entregas no interior e tentando humanizar a figura do governador através de uma comunicação institucional agressiva nas plataformas digitais.


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