Lula planeja nova indicação de Messias ao STF para retaliar Alcolumbre e focar eleições

Nova indicação ao Supremo Tribunal Federal desenha cabo de guerra com Davi Alcolumbre, enquanto o ministro Jorge Messias avalia os graves riscos de sofrer um segundo desgaste no parlamento



Jorge Messias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados políticos, em Brasília, a intenção de indicar novamente o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) pela segunda vez consecutiva, em uma estratégia desenhada para expor o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), e vincular a oposição às polêmicas investigações envolvendo o Banco Master, de olho no cenário das eleições gerais e na reeleição presidencial. A decisão, confirmada por interlocutores do Palácio do Planalto, ocorre logo após a rejeição do nome de Messias pela Casa no início do mês, derrota que Lula atribui ao senador amapaense, e representa uma aposta de alto risco que divide opiniões no próprio núcleo do governo.
Paralelamente ao xadrez político, interlocutores no Congresso afirmam que a pressão sobre Davi Alcolumbre também visa desestabilizar a forte influência que o senador amapaense exerce sobre a pauta de votações e a distribuição de relatorias estratégicas. Ao mirar diretamente no comando da Casa, o Palácio do Planalto tenta fraturar o bloco governista informal que Alcolumbre lidera, forçando senadores de partidos de centro a escolherem entre a fidelidade ao líder do Legislativo ou o alinhamento com as verbas e cargos do Executivo. O desfecho dessa queda de braço, portanto, não apenas definirá a nova composição da Suprema Corte, mas reorganizará as placas tectônicas do poder em Brasília, determinando a governabilidade de Lula em um suposto segundo mandato.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

De acordo com fontes do Executivo, o movimento de Lula não se resume a uma mera reafirmação de sua prerrogativa constitucional de escolher os membros da Suprema Corte. O presidente interpretou a recente derrota de seu indicado como um recado político hostil do Legislativo, amplificado pelo avanço de investigações que citam o Banco Master. Diante disso, a cúpula governista avalia que a insistência no nome do advogado-geral serve como uma armadilha política: caso o Senado vote contra Messias novamente, o Planalto pretende transferir o desgaste público para o Congresso, carimbando a oposição como protetora de interesses corporativos e financeiros investigados, o que poderia capitalizar apoio popular e fortalecer a base governista nas urnas.

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“O presidente compreendeu o recado das galerias do Senado, mas a resposta dele não será o recuo”, confidenciou um importante ministro palaciano que acompanha de perto as negociações. “A estratégia passa por mostrar à opinião pública de que lado o Congresso realmente está. Se houver uma nova rejeição, o custo político será integralmente cobrado da oposição e daqueles que tentam emparedar o governo utilizando investigações sensíveis como escudo”.

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A tese da pirâmide invertida adotada pelo Planalto joga todas as fichas no desgaste do adversário, mas encontra forte resistência nos bastidores e, principalmente, no entorno do próprio indicado. Jorge Messias, que se afastou temporariamente das funções em Brasília para tirar alguns dias de descanso com a família após o bombardeio político da última votação, ainda não deu garantias de que aceitará capitanear o plano presidencial. Aliados do ministro da AGU ponderam que uma segunda rejeição oficial pelo plenário do Senado seria fatal para a sua biografia e carreira jurídica, transformando-o em um “mártir político” de uma guerra que não é originalmente sua.

Um parlamentar da base governista, sob condição de anonimato, expressou o temor compartilhado por setores mais moderados do partido. “É um cálculo político legítimo do presidente Lula, mas que flerta com o desastre para a imagem pessoal do Messias. Ninguém gosta de passar por duas sabatinas hostis seguidas sabendo que o resultado final pode ser o sacrifício em nome de uma narrativa eleitoral. O ministro precisa ponderar se o tamanho da lealdade ao projeto do governo comporta esse nível de exposição negativa”.

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Enquanto o Planalto desenha o xadrez institucional, a oposição no Senado já se mobiliza para responder à eventual recondução da indicação. Líderes de blocos independentes e de direita argumentam que a insistência em um nome já rejeitado demonstra descolamento da realidade e um desrespeito à autonomia dos poderes. Para a ala oposicionista, ligar o parlamento às investigações do Banco Master é uma tentativa diversionista de desviar o foco da falta de articulação política do próprio governo federal.


Nos próximos dias, o retorno de Jorge Messias à capital federal deve selar o destino da estratégia. O presidente Lula aguarda a conversa definitiva para anunciar se manterá a aposta de confrontar abertamente os senadores ou se cederá às pressões por um nome de menor resistência, definindo os rumos da relação entre o Executivo e o Judiciário em um ano decisivo para as pretensões políticas do país.


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