O acúmulo de lixo e o mato alto tomam conta de trecho abandonado do Complexo do Araxá, evidenciando o descaso com o patrimônio público na zona sul de Macapá
O abandono crônico e a severa degradação estrutural transformaram o Complexo de Lazer Marlindo Serrano, conhecido popularmente como Complexo do Araxá, na zona sul de Macapá, em um cenário de terra arrasada neste ano de 2026. O ponto turístico de grande relevância cultural e histórica para a capital amapaense foi esquecido pela Prefeitura de Macapá durante a gestão de Antônio Furlan (PSD), responsável por sua administração, gerando profunda revolta em moradores e frequentadores devido ao acúmulo de lixo, mato alto e lama que cercam o espaço público. A falta de manutenção contínua e o atraso nas obras de revitalização, coordenadas pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura Urbana (Semob), converteram o antigo cartão-postal à beira do rio Amazonas em um verdadeiro monturo de descaso por falhas no planejamento e na execução das políticas de conservação do patrimônio.

Quem caminha pelo logradouro logo após a área dos quiosques de venda de sorvetes e salgados é recebido por um forte mau cheiro que exala das poças de água parada e dos detritos acumulados. Onde antes se via um espaço bem cuidado, arborizado e propício para o lazer das famílias macapaenses nos finais de tarde, hoje impera o desleixo generalizado. O complexo turístico está completamente cercado por tapumes de alumínio e outras barreiras improvisadas, que tentam esconder a deterioração estrutural, mas falham gravemente em conter a indignação de quem depende do local para trabalhar ou costumava desfrutar do antigo cenário.


A sujeira generalizada evidencia que o impacto visual e social da decadência do Araxá sobrepõe-se a qualquer promessa institucional veiculada nos canais oficiais. O muro de arrimo, estrutura fundamental para a contenção e a segurança de toda a extensão da orla contra a força das marés, apresenta blocos quebrados, rachados e caídos, tomados por severas linhas de infiltração que ameaçam a estabilidade do solo. O calçamento, que outrora recebia centenas de pedestres, ciclistas e esportistas diários, está inteiramente destruído e mal cuidado, transformando uma simples caminhada em um teste de equilíbrio perigoso entre a lama espessa e os buracos profundos. A ausência crônica de zeladoria regular fez com que a vegetação nativa crescesse sem controle, invadindo as quadras poliesportivas e sufocando as áreas de convivência.



Embora o portal da ex-gestão de Antônio Furlan (PSD) divulgasse agendas frequentes de manutenção e a execução de serviços de zeladoria urbana, a realidade prática nas passarelas do Araxá contradiz abertamente os anúncios oficiais. O espaço deveria estar integrado ao amplamente propagado projeto turístico Orla Viva, uma iniciativa municipal que prometeu melhorias estruturais profundas e a valorização da fachada fluvial da cidade. Além disso, o planejamento inicial previa a entrega de uma nova e moderna rampa náutica para fomentar a economia regional e o turismo náutico local. Contudo, o ritmo excessivamente lento das intervenções e o atual estado latente de conservação transformaram o projeto em uma promessa distante e inacessível para a população.

Moradores da zona sul relatam que o abandono atrai problemas secundários graves, como a sensação de insegurança no entorno dos tapumes metálicos durante o período noturno e a proliferação acelerada de vetores de doenças, como mosquitos e roedores, devido ao lixo exposto ao sol e à chuva. O forte contraste entre o potencial turístico imensurável do grandioso rio Amazonas e a sujeira acumulada no Marlindo Serrano reflete uma falha crônica na continuidade das políticas de preservação por parte da administração pública municipal.

A degradação galopante do Araxá afeta diretamente a autoimagem da capital amapaense e o sustento de dezenas de microempreendedores que operam os quiosques de alimentação na entrada do complexo. Sem a atração do público, esses trabalhadores já registram quedas severas no movimento de clientes e temem pela falência de seus negócios. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura Urbana (Semob) divide-se entre a promessa de execução de melhorias e a urgência de uma manutenção emergencial que estanque a deterioração do calçamento e das estruturas de concreto. Enquanto os tapumes delimitam o espaço de obras que simplesmente não avançam, o lixo toma conta das esquinas e o mato cresce nos vãos das pedras portuguesas. O sentimento geral entre os munícipes é de que o poder público virou as costas para um dos símbolos mais importantes da identidade amapaense, deixando o Complexo do Araxá chorar uma lágrima de descaso à beira do rio.

Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



