CULTURA

Macapá (AP) — Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026


Filmes que definiram uma década: os clássicos modernos que completam 10 anos em 2026

Prepare-se para a nostalgia; listamos os longas que marcaram época e celebram uma década de sucesso com o público e a crítica especializada

Doutor Estranho é um dos filmes de super-heróis de 2016 que completam uma década e marcaram a expansão do MCU. Foto: Reprodução/Marvel Studios


O cinema possui uma capacidade intrínseca de encapsular o espírito de um tempo, e olhar para o retrovisor em 2026 nos permite perceber como a safra de 2016 foi, de fato, um divisor de águas para a cultura pop contemporânea. Há dez anos, as salas de projeção tornaram-se templos de uma diversidade criativa que hoje parece rara, unindo o apelo comercial de blockbusters com a profundidade de roteiros que ousaram desafiar fórmulas gastas. Ao celebrarmos uma década dessas obras, não estamos apenas visitando a nostalgia, mas reconhecendo os pilares que sustentam muito do que consumimos hoje em serviços de streaming e franquias cinematográficas. O ano de 2016 foi o momento em que o cinema de super-heróis atingiu sua maturidade de conflitos, em que as animações decidiram abordar questões sociológicas complexas e o gênero musical provou que ainda podia fazer o mundo inteiro sonhar em technicolor.

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Um dos maiores legados dessa década que se encerra pertence, sem dúvida, ao fenômeno La La Land: Cantando Estações. O filme de Damien Chazelle não apenas resgatou o glamour da era de ouro de Hollywood, mas o subverteu com uma melancolia urbana que ressoou profundamente com a geração millennial. Ao completar dez anos, a jornada de Mia e Sebastian pelas ruas de Los Angeles permanece como um estudo sobre o custo dos sonhos e a natureza agridoce das escolhas que fazemos. A química entre Emma Stone e Ryan Gosling elevou o longa ao status de clássico instantâneo, e suas composições, como “City of Stars”, tornaram-se hinos de uma busca incessante por propósito. Reassistir a essa obra em 2026 é notar como ela antecipou um desejo do público por narrativas que, embora visualmente deslumbrantes, não temessem o realismo emocional de um final que foge ao “viveram felizes para sempre”.

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No campo da ficção científica, 2016 nos presenteou com A Chegada, uma obra-prima de Denis Villeneuve que desafiou as convenções de invasões alienígenas. Em vez de explosões e destruição, o filme focou na comunicação, na linguística e na percepção do tempo. Hoje, uma década depois, a mensagem de unidade global e a exploração da linguagem como ferramenta de paz parecem mais urgentes do que nunca. A atuação contida e poderosa de Amy Adams como a Dra. Louise Banks estabeleceu um novo padrão para protagonistas femininas no gênero, provando que a inteligência e a empatia são armas tão potentes quanto qualquer laser de ficção. O filme envelheceu com a dignidade de um clássico que convida o espectador a refletir sobre a própria humanidade e o peso da memória.

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Ainda no espectro das grandes produções que completam dez anos, não podemos ignorar o impacto de Deadpool. Em 2016, Ryan Reynolds finalmente entregou a versão definitiva do mercenário tagarela, quebrando não apenas a quarta parede, mas também o estigma de que filmes baseados em quadrinhos precisavam ser comportados para serem lucrativos. Com sua classificação indicativa para adultos, humor ácido e violência estilizada, Deadpool abriu as portas para que a indústria explorasse nichos mais maduros dentro do universo dos super-heróis. Uma década depois, o longa é visto como o ponto de partida para uma maior liberdade criativa no gênero, influenciando desde produções de TV até outras franquias que entenderam que a irreverência e a autoconsciência eram o antídoto para a fadiga dos uniformes coloridos.

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No universo das animações, 2016 foi o ano de Zootopia: Essa Cidade é o Bicho e Moana: Um Mar de Aventuras. A Disney viveu um ano de ouro, conseguindo equilibrar a inovação técnica com temas sociais profundos. Zootopia, dez anos após seu lançamento, continua sendo uma das metáforas mais inteligentes sobre preconceito e racismo estrutural já produzidas para o público infantil. A dinâmica entre Judy Hopps e Nick Wilde transcendeu o gênero policial para se tornar uma lição sobre coexistência e a desconstrução de estereótipos. Por outro lado, Moana redefiniu o conceito de “princesa Disney”, eliminando a necessidade de um interesse romântico e focando integralmente na jornada de autodescoberta e liderança de uma jovem polinésia. Ambas as obras permanecem nos catálogos de streaming como escolhas favoritas das novas gerações, provando que histórias bem contadas não possuem data de validade.


A década que se passou também consolidou o cinema de terror psicológico com O Homem nas Trevas e Invocação do Mal 2, que em 2016 elevaram a barra do gênero. Enquanto o primeiro trabalhava o suspense em espaços confinados com uma maestria técnica invejável, o segundo reafirmava James Wan como o mestre do horror moderno. Esses filmes ajudaram a pavimentar o caminho para a “nova onda de terror” que viria nos anos seguintes, focando menos em sustos fáceis e mais na construção de uma atmosfera de pavor constante. Ao olharmos para esses dez anos, percebemos como 2016 foi um laboratório de ideias que moldaram o consumo de entretenimento atual, lembrando-nos que o bom cinema é aquele que, mesmo após uma década, ainda consegue nos fazer rir, chorar, pensar ou simplesmente nos manter na ponta da poltrona com a mesma intensidade da primeira vez.


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