Projeto Memória Criativa e Afetiva capacita jovens estudantes para registrar identidade do bairro Laguinho
Iniciativa busca consolidar o bairro Laguinho como território regenerativo ao treinar alunos para mapear patrimônios materiais e imateriais, fortalecendo o sentimento de pertencimento e estimulando o desenvolvimento sustentável em Macapá

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
12/05/2026 | 14h16
O Instituto Amazônia Criativa iniciou, em Macapá, o projeto “Memória Criativa e Afetiva”, uma iniciativa que mobiliza dez estudantes da rede pública para mapear e documentar o patrimônio histórico e as raízes culturais do bairro do Laguinho até o dia 22 de maio. Através de fotografias, vídeos e entrevistas, o grupo percorre as ruas de um dos territórios mais emblemáticos da capital amapaense para registrar manifestações ancestrais e personagens icônicos, com o objetivo de fortalecer a identidade local e impulsionar o turismo sustentável por meio da economia criativa. O projeto, que conta com o suporte financeiro da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), busca transformar vivências cotidianas em um acervo documental que preserve o legado da comunidade para as futuras gerações.

O Laguinho não é apenas um bairro, mas um organismo vivo que pulsa a história da resistência negra e da cultura popular no Amapá. A proposta do projeto é consolidar este território como um espaço criativo e regenerativo, onde o patrimônio material e imaterial se fundem para criar novas oportunidades de desenvolvimento local. Ao valorizar locais históricos e referências do cotidiano, o “Memória Criativa e Afetiva” coloca em evidência símbolos que definem a alma do bairro, como o histórico Banco da Amizade e o místico Poço do Mato. A narrativa do projeto também mergulha profundamente na trajetória de figuras fundamentais, como a parteira Mãe Luzia, e em instituições culturais de peso, a exemplo da escola de samba Boêmios do Laguinho e o tradicional Marabaixo da Biló.

A metodologia humanizada do projeto aposta no olhar da juventude sobre a própria história. Dez alunos da Escola Azevedo Costa assumiram o papel de “guardiões da memória” e, munidos de equipamentos de registro, atuam diretamente na pesquisa de campo. Orientados pelo oficineiro Josimar Azevedo, os jovens aprendem que documentar uma entrevista ou fotografar uma fachada antiga é um ato de preservação do patrimônio. Sob a coordenação de Susane Farias e produção de Thome Azevedo, as atividades formativas estão sendo sediadas na Casa de Produção Duas Telas, onde os estudantes refinam suas técnicas de abordagem e registro. Para garantir que os jovens pesquisadores possam se dedicar integralmente à missão, cada participante recebe uma bolsa de R$ 200, destinada a cobrir custos operacionais da pesquisa.

O envolvimento desses alunos vai além da simples coleta de dados; trata-se de um processo de descoberta de suas próprias raízes. Cada participante tem o desafio de mapear até cinco ambientes de memória, que podem variar entre patrimônios físicos, manifestações culturais, referências humanas ou até mesmo segredos gastronômicos guardados pelas famílias do bairro. Esse mapeamento multifacetado permite uma visão holística do Laguinho, tratando a culinária e o modo de vida dos moradores com o mesmo rigor e importância dedicados aos monumentos históricos. Ao final do processo, os registros acumulados servirão como base para uma nova percepção do bairro, capaz de atrair visitantes e estimular a economia de forma respeitosa e integrada à identidade amapaense.

A viabilização dessa jornada afetiva foi garantida pela aprovação do projeto em editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fumcult) e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Esse suporte institucional sublinha a relevância estratégica de transformar a memória em um ativo econômico e social. Ao integrar cultura, identidade e desenvolvimento, o Instituto Amazônia Criativa não apenas registra o passado, mas planta as sementes para que o Laguinho continue sendo uma referência de inovação e orgulho para todo o estado do Amapá. No olhar de cada aluno pesquisador, o que antes era apenas uma rua familiar agora se torna um capítulo vivo de uma história que merece, definitivamente, ser contada para o mundo.




