Emma Thompson faz viúva que contrata um profissional do sexo
Foto: Divulgação

Das 88 críticas publicadas até o momento, apenas quatro delas foram negativas
Em Boa Sorte, Leo Grande, Nancy (Emma Thompson) é uma viúva de 55 anos que decide, uma vez na vida, ter a experiência do bom sexo. Para isso, ela contrata um profissional, Leo Grande (Daryl McCormack), com quem se encontra em um hotel de Londres. O filme, dirigido por Sophie Hyde e escrito por Katy Brand, é uma raridade. Thompson acha mesmo que é revolucionário. “Vamos falar a verdade, o prazer feminino nunca esteve no topo da lista de afazeres nos sistemas presentes”, contou a atriz em entrevista à Associated Press. “Nunca foi assim: ‘Ah, temos de cuidar disso’.”

Para a diretora Sophie Hyde, que entrou no projeto quando Thompson já estava escalada para o papel principal, o longa era uma chance de explorar temas que lhe interessavam, como intimidade, poder, sexo e corpo.
Carregamos muita vergonha nos nossos corpos. Fomos ensinados assim. Isso influencia nossas ideias de sexualidade e de sexo e limita nossa interação com outras pessoas.
— Sophie Hyde
Não à toa, o filme usa os espelhos para falar de Nancy e da sua relação com seu corpo, com sexo e com Leo. No começo, Nancy posa na frente do espelho e tenta ficar mais bonita, sabendo que Leo em breve vai bater à sua porta. No fim, sua relação com o espelho mudou completamente: agora, ela enxerga seu corpo pelo que ele é. “Somos tão autoconscientes de nossa imagem, e tanto das nossas vidas é passado pensando no que os outros vão achar da nossa aparência”, observou Hyde.

É importante que às vezes também reconheçamos que temos permissão de pensar na maneira como sentimos o que nossos corpos fazem. Parece óbvio, mas não é.
— Sophie Hyde
LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?
A interação entre pessoas e a construção da intimidade eram assuntos especialmente relevantes porque o convite chegou já com alguns meses de pandemia. “Estávamos separados uns dos outros, do mundo, por um bocado de tempo naquela altura, e a ideia de conexão e intimidade parecia muito poderosa para mim”, lembrou a diretora.

Para falar de tudo isso, ela precisava de um ator que pudesse jogar de igual para igual com Emma Thompson, já que os dois personagens estão na tela 100% do tempo – o filme se passa exclusivamente durante seus encontros. McCormack, um irlandês de 29 anos mais conhecido por sua participação na série Peaky Blinders, reunia o talento como ator, o físico ideal, a generosidade de espírito com a pessoa a seu lado. “Eu acho legal ele ser muito masculino e muito feminino ao mesmo tempo”, avaliou Hyde. “Isso permitiu que trouxéssemos um tipo de homem para a tela que não vemos com muita frequência.”
No caso de Emma Thompson, o que a cineasta mais admirou foi sua capacidade de virar a chave, indo do engraçado ao trágico em um instante. O humor era parte essencial da maneira como Hyde queria contar essa história. “Queria um ponto de entrada no filme que fosse bem-humorado”, explicou. É uma maneira de falar de coisas sérias como sexo e corpo, que nos deixam desconfortáveis.
“O ser humano foi feito para ter prazer”
“Achamos muito difícil falar de sexo”, afirmou Thompson. “Sexo foi transformado em tabu e ao mesmo tempo foi industrializado e vendido para nós como lata de sardinha. O prazer é centrado no cérebro, no corpo e no coração. É importante porque não é apenas um centro. É muito raro que todos sejam estimulados da maneira certa ao mesmo tempo. Somos tão complicados, não é? E, no entanto, não estamos dispostos a reconhecer essa complicação porque ela torna tudo mais difícil. Mas na verdade, no fim, é ela que faz a vida ser mais interessante.”
A atriz garantiu que nunca viu prazer como algo errado. “Dar-se prazer é fantástico”, declarou à AP. “É extraordinário que alguém possa fazer isso. Se pensarmos na história da masturbação, é terrível o que foi feito pela fé cristã e outras. O fato de que o autoprazer, o prazer para o corpo, tenha se transformado em algo ilegítimo me parece problemático e um pecado, algo diabólico de fazer com os seres humanos. Porque nós fomos feitos para ter prazer, claramente.”

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