Texto sobre ‘pandemia do medo’ não foi escrito por C. S. Lewis

O conteúdo é falsamente atribuído a C.S. Lewis com o nome de “Pandemia do medo” e supostamente prevê a pandemia da Covid-19
Por Maurício Moraes
Este texto sobre o medo, a pandemia do novo coronavírus e a morte atribuído ao escritor irlandês C. S. Lewis (1898-1963) vem sendo compartilhado milhares de vezes nas redes sociais desde meados do ano passado.
Os internautas afirmam que se trata de um fragmento do livro “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz”, editado em 1942. No entanto, especialistas comprovaram que o trecho viralizado não aparece no livro, o que foi confirmado pela editora da obra. Além disso, um estudioso do escritor negou que a passagem seja da autoria de Lewis.
As publicações veiculadas na internet incluem um diálogo que começa assim:
Do livro ‘Cartas do Diabo a Aprendiz’, de C. S. Lewis, o autor das ‘Crônicas de Nárnia’. O livro foi publicado em 1942.
COVID19 ‘A PANDEMIA DO MEDO’
Suposto trecho do livro:
“E como você conseguiu levar tantas almas para o inferno naquela época?
– Por causa do medo.
– Ah sim. Excelente estratégia; velho e sempre atual. Mas do que eles estavam com medo? Medo de ser torturado? Com medo da guerra? Fome?
– Não. Medo de ficar doente.
– Mas então, ninguém mais ficou doente naquele momento?
– Sim, eles ficaram doentes.
– Mais ninguém morreu?
– Sim, eles morreram.
– Mas não havia cura para a doença?
– Teve.
– Então eu não entendo.
– Como ninguém mais acreditou e ensinou sobre a vida eterna e a morte eterna, eles pensaram que tinham apenas aquela vida, e se apegaram a ela com toda a força, mesmo que isso lhes custasse seu carinho (eles não se abraçavam ou se cumprimentavam, não tinham contato) humano por dias e dias); seu dinheiro (perderam o emprego, gastaram toda a poupança e ainda pensavam que tinham sorte de ser impedidos de ganhar pão); a inteligência deles (um dia a imprensa disse uma coisa e no dia seguinte se contradiz, e ainda assim eles acreditavam em tudo); a liberdade deles (eles não saíram de casa, não andaram, não visitaram seus parentes… foi um grande campo de concentração para prisioneiros voluntários!
Eles aceitaram tudo, tudo, desde que pudessem passar por suas vidas miseráveis mais um dia. Eles não tinham mais a menor ideia de que Ele, e somente Ele, é quem dá a vida e a termina. Era assim, tão fácil como nunca fora.”
A editora responsável pela publicação de Lewis no Brasil, Harper Collins negou que esta passagem faça parte da obra. Um desses posts foi visualizado por 400 mil pessoas. “Esse trecho não aparece em nenhuma edição do livro ‘Cartas de um diabo a seu aprendiz'”, assinala ela.
Outra a questionar a autenticidade do texto foi a Agência Lupa. Ela consultou a edição publicada no Brasil pela Editora Martins Fontes em 2009 e comprovou que o texto não faz parte da obra. Também não se trata de uma adaptação. Não há qualquer referência ao medo de uma pandemia ou de doenças e suas consequências. Além disso, os capítulos do livro estão em forma de cartas, não de diálogos.

Na verdade, este texto sobre a “pandemia do medo” foi escrito por Camila Abadie, ativista que defende o homeschooling (ensino domiciliar), e publicado em seu perfil pessoal do Facebook. No início do post, ela explica que é um “trecho não escrito de “Cartas de um diabo ao seu aprendiz’” – ou seja, destaca que foi uma criação sua. Ao perceber que, mesmo assim, as pessoas estavam confundindo a autoria, ela editou a publicação e acrescentou a seguinte frase: “PS: Pessoal, este texto é meu, não do Lewis. Por isso o título dado foi ‘Trecho NÃO escrito de Cartas do inferno’”.
Edição: Emanoel Reis
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