CULTURA

“O Brutalista” retrata a insuportável sensação de vazio na sociedade contemporânea

Mais do que um filme a ser assistido, ‘O Brutalista’ se impõe como uma experiência sensorial, que absorve o espectador para dentro de seu universo. O filme disputa o Oscar em 10 categorias

Adrien Brody vive o visionário arquiteto László Toth em ‘O Brutalista’ — Imagem: Brookstreet Pictures / Divulgação


O arquiteto László Tóth (Adrien Brody) questiona se existe uma descrição mais precisa de um cubo do que sua construção. Essa reflexão resume sua ligação com o brutalismo, que é central no filme O Brutalista, de Brady Corbet, indicado a 10 Oscar. O estilo de László é baseado na pureza das formas e na honestidade dos materiais. Educado na Bauhaus, ele se torna influente na arquitetura, mas é reduzido ao anonimato após chegar aos Estados Unidos como sobrevivente do campo de concentração de Buchenwald. Com o tempo, ele percebe que suas obras resistiram à guerra e continuam a contar sua história.

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O filme tem uma duração de 215 minutos, com um intervalo de 15 minutos e utiliza o formato VistaVision em alta resolução. Esses elementos não são apenas por estética, mas fazem parte da narrativa e do impacto do filme. O Brutalista oferece uma experiência sensorial ao espectador, com uma densidade dramática que é acentuada pelo ceticismo de Corbet. O longa transcende o drama histórico e se transforma em uma fábula sombria da América.


László busca recomeçar e recorre ao primo Attila (Alessandro Nivola), que renunciou à sua identidade judaica. Juntos, eles são contratados por Harry (Joe Alwyn) para renovar a biblioteca de seu pai, Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce). Harrison acaba por transformar sua casa em um monumento para sua mãe. László se sente incompleto sem sua esposa, Erzsébet (Felicity Jones), que ficou na Europa. A distância emocional entre eles aumenta, enquanto László, pressionado por Harrison, se torna uma figura distorcida.

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Erzsébet acredita que o trabalho de László o faz se distanciar dela. O filme mostra a luta entre diferentes visões de exílio e redenção, mostrando como a América alimenta ilusões. Adrien Brody apresenta um László frágil, mas emocionalmente tenso. As sombras da arquitetura brutalista refletem as angústias dos personagens. Erzsébet cita Goethe, questionando a liberdade. No final, o filme deixa indagações sobre o que resta de László e dos outros personagens, enfatizando o vazio e a desesperança que permeiam O Brutalista.

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