OPINIÃO

Macapá (AP) — Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026


Fim de uma era de autocracia na Venezuela

A prisão de Nicolás Maduro reafirmou a hegemonia dos Estados Unidos na América do Sul e expôs a fragilidade de regimes autoritários na região


O cenário geopolítico da América do Sul sofreu um abalo sísmico no sábado, 3 de janeiro, com a notícia que ecoou de Caracas para o restante do globo: a prisão do ditador Nicolás Maduro. A operação, conduzida por forças norte-americanas, não apenas encerrou um ciclo de 12 anos de autocracia chavista, mas enviou um recado ensurdecedor para todas as capitais do continente. A mensagem vinda de Washington foi clara e pragmática, reafirmando que, quando o equilíbrio regional é ameaçado por regimes despóticos, quem realmente detém as cartas decisivas no tabuleiro político são os Estados Unidos da América. A queda de Maduro, sob custódia estrangeira, desnudou a fragilidade das soberanias sustentadas pelo autoritarismo e colocou em xeque as alianças ideológicas construídas na última década.
A reação em Brasília não tardou, mas seguiu um roteiro previsível e melancólico. Ao ser informado da incursão militar e da consequente detenção de Maduro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apressou-se em emitir notas oficiais de repúdio. O tom do Palácio do Planalto foi de indignação contra a “agressão externa”, classificando a ação como uma violação aos princípios internacionais e atacando duramente a intervenção militar em solo venezuelano. Entretanto, a retórica inflamada de Lula em defesa da autodeterminação dos povos soa oca diante do histórico de silêncio do petista. Durante mais de uma década, enquanto o regime de Maduro acumulava denúncias de tortura, perseguição política e execuções sumárias, o governo brasileiro esquivou-se de emitir qualquer parecer contundente sobre as atrocidades cometidas pelo aliado.
O contraste é gritante e revela a seletividade moral da diplomacia brasileira sob a atual gestão. Mesmo diante de provas inquestionáveis de que o regime de Caracas mergulhou o povo venezuelano na miséria extrema e praticou todo tipo de violações aos direitos humanos, Lula optou pela conivência disfarçada de neutralidade. O envolvimento da cúpula madurista em esquemas monstruosos de corrupção e crimes de gravidade internacional nunca foi suficiente para que o presidente brasileiro revisse sua postura. Pelo contrário, Lula manteve-se fiel ao seu anacrônico princípio de apoiar ditaduras de esquerda ao redor do mundo, ignorando o sofrimento de milhões em nome de uma solidariedade ideológica que agora se choca com a realidade de um regime desmoronado. A prisão de Maduro não apenas expõe o ditador, mas também a fragilidade ética de quem, em solo brasileiro, preferiu o conforto da amizade autocrática à defesa intransigente da liberdade.

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