
FURLAN FAZ DE TUDO PARA SUSTENTAR NARRATIVA DE EFICIÊNCIA

O cenário político em Macapá vive um momento de profunda ambiguidade, onde a euforia dos números contrasta com a angústia dos bastidores. Impulsionado por pesquisas de opinião pública que o colocam com índices de aprovação superiores a 75% e o apontam como favorito absoluto ao Governo do Amapá em 2026, o prefeito Antônio Furlan (MDB) decidiu acelerar o ritmo administrativo para consolidar sua imagem de gestor incansável.
Para sustentar essa narrativa de eficiência e demonstrar que a capital está imune a crises financeiras, a prefeitura mantém uma vitrine frenética de obras, com inaugurações constantes e o anúncio de novos projetos para os próximos meses, estratégia que visa pavimentar seu caminho para o Palácio do Setentrião.
No entanto, essa fachada de prosperidade parece esconder um custo social elevado. Denúncias apontam que o ritmo acelerado das máquinas é financiado pelo sacrifício de centenas de trabalhadores terceirizados que prestam serviços essenciais à municipalidade. Relatos indicam que empresas prestadoras de serviço enfrentam atrasos sucessivos nos repasses da prefeitura, resultando em meses de salários e benefícios — como vale-alimentação — pendentes.
O clima entre os operários e profissionais de apoio é de insegurança, agravado por supostas negociações entre o Executivo e os empresários das terceirizadas para que estes contenham qualquer manifestação ou greve dos funcionários.
A crítica que ecoa nos setores de oposição e sindicatos é de que o prefeito estaria praticando um proselitismo político temerário, priorizando a visibilidade de obras físicas em detrimento da dignidade de quem as executa. Enquanto o marketing institucional exalta uma “cidade em transformação”, a realidade nos canteiros e repartições revela trabalhadores vivendo sob a sombra de ameaças de demissão e dificuldades financeiras.
O uso de recursos públicos para bancar uma pré-campanha antecipada ao governo estadual, enquanto se negligencia a folha de pagamento de quem mantém os serviços básicos funcionando, coloca em xeque a ética de uma gestão que se orgulha dos números, mas parece ignorar as pessoas por trás deles.
ESTRATÉGIA JURÍDICA
A gestão de Antônio Furlan (MDB) moveu um recurso junto ao Superior Tribunal de Justiça para tentar suspender o pagamento de uma dívida de R$ 14 milhões com a Viação Policarpos. Após derrotas sucessivas em diversas instâncias do Judiciário, a Prefeitura de Macapá obteve o direito de ter o caso analisado por um ministro da Corte. A manobra jurídica busca postergar o desembolso imediato dos recursos do tesouro municipal. Contudo, o adiamento pode inflar ainda mais o montante final devido à incidência de juros e correções.
RISCOS FINANCEIROS E BLOQUEIOS
O recurso apresentado pela Prefeitura de Macapá ao STJ carrega riscos jurídicos e financeiros severos para a continuidade da administração municipal. Caso o tribunal rejeite a peça defensiva, a municipalidade enfrentará a execução imediata da dívida milionária contraída com a Viação Policarpos. O cenário negativo pode resultar no bloqueio de contas públicas e sanções legais diretas contra a prefeitura por descumprimento de ordem judicial. A insistência no recurso agrava a insegurança orçamentária da capital em meio às disputas eleitorais.
GASTÃO CONDENADO
A Justiça Federal condenou o ex-secretário de Saúde do Amapá, Gastão Valente Calandrini de Azevedo, por fraude em licitação e superfaturamento na Secretaria de Estado da Saúde (SESA) entre 2017 e 2018. A decisão do juiz Athos Attie detalha a manipulação de preços e simulação de competitividade no fornecimento de alimentação hospitalar, práticas que desviaram milhões de reais. Originada na Operação Banquete, a investigação da CGU e do MPF estima que o prejuízo ao erário ultrapasse R$ 28 milhões. Outros réus, como Ana Lúcia Batista Corrêa e o ex-secretário João Bittencourt da Silva, foram inocentados por insuficiência de provas do dolo específico, segundo o magistrado.
INSPEÇÃO PRISIONAL
A 1ª Vara de Execução Penal de Macapá concluiu uma inspeção em unidades prisionais da capital, incluindo o Centro de Custódia Especial, Novo Horizonte, a fornecedora Nutrimax e a Apac. Conduzidos pelo juiz substituto Diogo Sobral, os trabalhos seguiram a Resolução n. 593/2024 do CNJ, visando verificar as condições básicas de custódia e habitabilidade. As avaliações focaram em acesso a água potável, alimentação e salubridade, com escuta direta de pessoas privadas de liberdade e servidores. O objetivo é obter informações precisas para fiscalizar o tratamento dispensado e as condições do sistema carcerário.
LIMINAR NEGADA
O juiz Robson Timóteo Damasceno, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Macapá, negou a liminar pleiteada pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) em uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de Macapá e a CTMac. O MP-AP acusa o município de operar uma frota de ônibus sucateada, com serviço sem licitação e falhas na bilhetagem eletrônica. A liminar pedia a inspeção imediata de todos os veículos para checagem ambiental e de segurança, com a consequente interdição dos reprovados. Os promotores também exigiram a divulgação completa dos dados da frota (ano, estado, renovação) no Portal da Transparência.
ADULTIZAÇÃO INFANTIL
A Câmara Municipal de Macapá aprovou duas leis para prevenir a adultização infantil e a erotização precoce, preocupações para famílias e educadores. As leis, votadas no dia 25, agora aguardam a sanção do Executivo. A adultização infantil se refere à exposição precoce de crianças a comportamentos e conteúdos de adultos, o que pode prejudicar seu desenvolvimento. O Projeto de Lei Ordinária n.º 149/25, chamado “Infância Livre”, visa prevenir e combater esses problemas através de campanhas educativas, capacitação de profissionais e conscientização de pais. Já o PLO n.º 151/25 estabelece a Política Municipal de Proteção Integral, focando em fiscalização e criação de um canal de denúncias 24 horas. Após a sanção, a Prefeitura terá de 60 a 90 dias para regulamentar as novas políticas, que trarão diretrizes claras para famílias e escolas de Macapá.

