Sob pressão após estreia pífia, Seleção Brasileira busca reabilitação na Filadélfia contra o Haiti
Vaiada na estreia e com Endrick no banco, Seleção Brasileira precisa vencer o fragilizado adversário nesta sexta-feira para recuperar o prestígio com a torcida e garantir sobrevivência no Mundial

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
15/06/2026 | 11h54
A Seleção Brasileira de Futebol Masculino entra em campo na próxima sexta-feira, 19 de junho, às 21h30 (horário de Brasília), no estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos, para enfrentar a seleção do Haiti em um jogo que se tornou uma verdadeira decisão antecipada pela sobrevivência na Copa do Mundo de 2026. Após uma estreia pífia e sob vaias contra o Marrocos, a equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti precisa urgentemente de uma vitória convincente na segunda rodada do Grupo C para afastar o fantasma de uma eliminação precoce na fase de grupos. O confronto decisivo, que promete paralisar o país diante da TV e do streaming, terá transmissão ao vivo pela TV Globo, SBT, Sportv, N Sports, ge/Globoplay e CazéTV.

O clima de tensão que se instalou na delegação brasileira reflete o futebol pobre apresentado na partida de estreia. Apontado como franco favorito no confronto diante dos marroquinos, o Brasil decepcionou os milhares de torcedores que compareceram ao Estádio de Nova Jersey. A equipe começou o jogo de forma claudicante, mostrando desorganização tática, lentidão na transição de jogadas e uma apatia que assustou quem esperava o tradicional brilho do futebol pentacampeão. O meio-campo brasileiro parecia perdido diante da marcação pressão do adversário, e a criação de jogadas ofensivas foi praticamente nula durante quase toda a primeira etapa.

A salvação da noite veio aos 33 minutos da fase inicial, graças ao talento e ao individualismo de Vinicius Jr. O atacante do Real Madrid chamou a responsabilidade, driblou dois marcadores pela ala esquerda e chutou cruzado, garantindo o único gol da partida. O placar magro de 1 a 0, no entanto, não escondeu as graves falhas coletivas da equipe. Durante o segundo tempo, o Brasil abdicou de atacar e passou a sofrer uma pressão desnecessária do Marrocos, segurando o resultado de forma dramática até o apito final. Ao deixarem o gramado, os jogadores não ouviram os tradicionais aplausos, mas sim uma sonora e incômoda vaia vinda das arquibancadas, um claro sinal de que a paciência do torcedor está no limite.


Nos bastidores e na sala de imprensa, o ambiente ferveu logo após o confronto. Os questionamentos dos jornalistas concentraram-se principalmente nas escolhas táticas do treinador italiano e na insistência em manter o jovem atacante Endrick no banco de reservas. A joia do futebol brasileiro tem sido pedida pela torcida e pela crítica especializada como a solução para dar mais dinamismo e poder de finalização ao ataque. Questionado de forma incisiva pela imprensa sobre a ausência do atleta entre os titulares, Carlo Ancelotti manteve a sua postura enigmática e fria. O técnico apenas levantou a sua famosa sobrancelha, ignorou os repórteres e encerrou a coletiva sem dar maiores explicações, aumentando ainda mais o mistério e a insatisfação em torno do esquema tático adotado.

Apesar do descontentamento geral, os jogadores tentam demonstrar união e foco para o próximo desafio. O zagueiro e capitão da equipe, em declaração na zona mista, reconheceu a necessidade de uma mudança imediata de postura e de desempenho técnico. Ele afirmou que o grupo sabe que ficou devendo no primeiro jogo e que a cobrança interna tem sido muito forte. Segundo o defensor, vestir a camisa da seleção exige um nível de excelência que não foi apresentado na estreia, mas o grupo está totalmente fechado para corrigir os erros, respeitar o adversário e buscar uma grande atuação na Filadélfia.

Agora, a única alternativa para a comissão técnica e para os atletas é buscar a recuperação do prestígio e da confiança na partida de sexta-feira. Diante de um Haiti tecnicamente mais frágil, a expectativa generalizada é de uma goleada expressiva que possa devolver a paz aos treinamentos e carimbar a reabilitação do Brasil no torneio mundial. No entanto, o peso da responsabilidade histórica e o regulamento da competição não deixam margem para novos erros na busca pelo hexacampeonato. O diagnóstico no ambiente da seleção é claro e definitivo: um tropeço diante dos haitianos transformaria a crise em um desastre histórico. Se o Brasil não conseguir vencer o Haiti, o vexame estará consolidado e a delegação poderá arrumar as malas mais cedo para voltar para casa.




