Lula decide substituir ministro petista por marqueteiro para reforçar comunicação do governo
No início de dezembro, Lula e Pimenta discutiram possíveis mudanças na Secom. A cirurgia de Lula atrasou as negociações sobre a demissão do ministro

Visto como um dos principais problemas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a comunicação deve ser a primeira área a ser reformada na nova estrutura ministerial. O presidente planeja substituir Paulo Pimenta da Secretaria de Comunicação (Secom) por Sidônio Palmeira, um marqueteiro.
Lula e Pimenta discutiram mudanças na Secom no início de dezembro, antes da cirurgia do presidente em São Paulo. Os integrantes do governo acreditam que a cirurgia atrasou as conversas sobre a demissão. Pimenta, uma liderança do PT, pode ter uma “saída honrosa”, sendo transferido para a Secretaria-Geral da Presidência, que é dirigida por Márcio Macêdo. Macêdo, que enfrenta críticas dentro do próprio partido, afirmou que estava surpreso ao descobrir que tinha inimigos no governo.

Ele comentou que sua origem no Nordeste pode desagradar pessoas do Sul ou Sudeste. Macêdo se vê como parte do Brasil profundo e destaca seu papel como ministro de confiança do presidente. Outra possibilidade para Pimenta é seu retorno como deputado federal, já que ele é visto como um dos petistas mais ideológicos no Congresso.
Sidônio Palmeira chegou a Brasília no início da semana passada e começou a se encontrar com líderes do Planalto para discutir mudanças na Secom. Embora não tenha sido oficialmente nomeado, ele participou de um evento no Palácio da Alvorada. Lula falou sobre a necessidade de mudanças no governo, mas não especificou quais seriam.

Palmeira tem uma boa relação com o PT e foi o marqueteiro responsável pela campanha de Lula em 2022. Ele também colaborou com o governo em outras comunicações, inclusive o discurso de Natal do presidente. Esse discurso será transmitido em rede nacional e deve durar três minutos e 20 segundos. O marqueteiro também trabalhou para melhorar a imagem do governo após tensões no mercado financeiro.
Dentro do Planalto, a comunicação é vista como a principal falha do governo, especialmente em um seminário do PT que discutiu o futuro do partido. Lula apoiou as críticas e falou sobre a necessidade de correções na comunicação do governo. Pimenta tentou minimizar as críticas, reconhecendo que a comunicação das ações do governo precisa ser melhorada.

Uma das queixas de Lula é a falta de conclusão em uma licitação para contratar empresas de comunicação digital, que foi paralisada devido a suspeitas de vazamento de informações. O governo planeja gastar quase R$ 200 milhões por ano em propaganda digital, vendo isso como uma forma de melhorar sua avaliação e se preparar para as eleições de 2026.
Lula afirmou que, durante seu governo, fez mais entregas de políticas públicas do que em seus mandatos anteriores, mas reconheceu que a comunicação das ações para a população não está adequada. Ele também se lembrou de declarações passadas que causaram desgaste, como comparações infelizes que afetaram negativamente sua popularidade.

