Casal Alexandre e Viviane de Moraes adquire R$ 23,4 milhões em imóveis durante cinco anos no STF
Evolução imobiliária acompanha salto na atuação da banca de Viviane Barci em tribunais superiores; pagamentos recentes não utilizaram financiamentos bancários

DA REDAÇÃO
Com informações do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO
06/04/2026 | 13h41
Nos últimos cinco anos, a evolução patrimonial da família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atingiu um novo patamar, período em que o magistrado e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembolsaram R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis quitados integralmente à vista. O montante investido nos últimos cinco anos triplicou o valor do patrimônio imobiliário do casal desde que Moraes tomou posse na Corte, em 2017, saltando de R$ 8,6 milhões para os atuais R$ 31,5 milhões. As transações, registradas em cartórios de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, revelam uma estratégia de expansão acelerada que concentra mais de dois terços de todo o investimento imobiliário realizado pela família nas últimas três décadas, levantando questionamentos sobre a compatibilidade dos rendimentos diante do expressivo volume de capital mobilizado sem financiamentos bancários.

“O patrimônio imobiliário de Alexandre de Moraes e Viviane Barci triplicou desde que o ministro assumiu o STF, saltando de R$ 8,6 milhões para R$ 31,5 milhões em apenas oito anos.”
O avanço nos bens do casal reflete uma mudança drástica no perfil de consumo imobiliário desde que Moraes deixou o Ministério da Justiça para ocupar a vaga indicada pelo então presidente Michel Temer. Quando chegou ao STF, o casal possuía 12 propriedades; hoje, detém 17, após uma série de compras e vendas que somam, historicamente, R$ 34,8 milhões investidos em 27 imóveis ao longo de 29 anos. O salário atual do ministro é de R$ 46 mil mensais, valor que, embora represente o teto do funcionalismo público e seja 39% superior ao que recebia antes da magistratura suprema, parece distante das cifras movimentadas nas escrituras recentes. Durante toda a carreira pública, Moraes ocupou cargos de alto escalão, como secretarias estaduais e municipais e postos no Ministério Público, sempre com remunerações no topo da pirâmide estatal.

“Nos últimos cinco anos, a família desembolsou R$ 23,4 milhões na aquisição de novos imóveis, com todas as operações sendo quitadas integralmente à vista, sem financiamentos.”
Para gerir essa estrutura, a família utiliza o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma sociedade limitada que atua como holding familiar. A empresa tem como sócios Viviane Barci de Moraes e os dois filhos do casal, Alexandre e Giuliana. Embora o nome do ministro não figure formalmente no contrato social da holding, o regime de comunhão parcial de bens adotado no matrimônio vincula legalmente o magistrado aos ativos adquiridos durante a união, integrando-os ao patrimônio comum. Entre as aquisições mais emblemáticas geridas sob esse guarda-chuva está uma mansão de 776 metros quadrados localizada no Lago Sul, área de maior valorização em Brasília. O imóvel foi comprado em agosto do ano passado por R$ 12 milhões junto à Construtora Modelo, com o pagamento efetuado por meio de duas transferências bancárias de R$ 6 milhões cada, sem o uso de alienação fiduciária ou hipotecas.

“Desde que o marido chegou à Corte, o número de processos da advogada Viviane Barci de Moraes nos tribunais superiores disparou, passando de 27 para 152 ações em tramitação.”
Simultaneamente à ascensão imobiliária, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, sob comando de Viviane, registrou um crescimento exponencial em sua presença nos tribunais superiores. Desde 2017, o volume de processos da banca saltou de modestas 27 ações para 152 causas em tramitação no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse fortalecimento institucional da advocacia da família acompanhou a expansão física da banca, que abriu uma filial em Brasília no fim do ano passado e adquiriu, já em 2025, uma sala comercial no Edifício Terra Brasilis por R$ 350 mil. O escritório também possui participação em imóveis corporativos de luxo em São Paulo, como uma fatia no Edifício Diâmetro, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, arrematada em leilão judicial.

“Entre as aquisições está uma mansão de R$ 12 milhões em Brasília, paga com duas transferências bancárias de R$ 6 milhões cada pela holding familiar que inclui os filhos do casal.”
A visibilidade dos negócios da família Moraes ganhou contornos polêmicos com a revelação de contratos vultosos firmados pela banca de Viviane, como o acordo de R$ 129 milhões por três anos com o Banco Master. A cifra, incomum mesmo para os padrões das grandes bancas de advocacia do país, colocou sob os holofotes a interseção entre o sucesso financeiro da esposa e a posição de poder ocupada pelo marido. Procurados para comentar a natureza das transações e o crescimento do patrimônio imobiliário em curto espaço de tempo, o ministro Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes optaram pelo silêncio, não respondendo aos questionamentos enviados pela reportagem até o fechamento desta edição. O caso segue repercutindo nos bastidores jurídicos e políticos, onde a transparência sobre a origem dos recursos para pagamentos à vista de tamanha magnitude permanece como o ponto central do debate.




