CONJUNTURA

Lula enfrenta falta de confiança como líder global entre latino-americanos, indica pesquisa

A pesquisa do Pew Research Center afirma que o presidente Lula não é considerado uma liderança confiável em todo o mundo, apesar da positiva imagem do Brasil na América Latina

Chilenos e mexicanos lideram a desconfiança em relação ao petista, com 62% e 60% nesta categoria, respectivamente — Foto: Ricardo Stuckert / PR


Sede da cúpula dos líderes do G20 neste ano, o que lhe dá projeção internacional, o Brasil é bem-visto por cidadãos da América Latina, mas o presidente Lula (PT) não goza de muita confiança como uma liderança global, aponta o Pew Research Center.
Levantamento conduzido presencialmente pelo reconhecido centro de pesquisas americano revela que, em média, 52% dos respondentes de cinco países da região (Argentina, Peru, Colômbia, México e Chile) e dos Estados Unidos têm uma imagem favorável do Brasil.

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Mas, quando o assunto é o presidente Lula, apenas uma média de 30% diz confiar no chefe do Palácio do Planalto para fazer a coisa certa em temas de assuntos internacionais —neste aspecto, o levantamento não incluiu participantes dos EUA. Outros 55% não confiam.

A saber: na Colômbia, no México e no Peru, o acesso à educação tem relação direta, com adultos com maior nível de acesso confiando mais no brasileiro; nesses dois últimos países, a renda também tem a ver, com adultos com maiores ingressos confiando mais no petista.
Já na Argentina, notou-se relação direta com a ideologia. Adultos que se dizem à esquerda no espectro político são mais favoráveis a Lula.


O levantamento também permite observar que, no geral, os latino-americanos entendem o Brasil como um país cuja influência na comunidade internacional ou permaneceu a mesma ou tem crescido ao longo dos últimos anos.
Catapultar a projeção global do país é uma bandeira dos governos de Lula desde os seus dois primeiros mandatos, nos anos 2010. O cenário global com o qual se deparou ao voltar a Brasília em 2023, no entanto, foi bem diferente para os planos do petista e de sua diplomacia.

Uma pesquisa paralela do Pew Research também dá pistas de como os próprios brasileiros compreendem o Brasil e o atual presidente. A maior parte (38%) diz pensar que o Brasil eventualmente se tornará um dos países mais poderosos do mundo. Outros 23% dizem que o país já o é, uma cifra muito superior à de 2017, quando apenas 16% diziam isso.

Também cresceu a porcentagem dos que dizem confiar no governo para fazer o que for certo para o país, com 47% na atual pesquisa, conduzida de janeiro a maio com 1.054 adultos presencialmente, ante 23% em levantamento similar realizado no ano de 2017.
Cerca de seis em cada dez brasileiros adultos também afirmaram que a democracia representativa é uma boa forma de governo. Foi a maior cifra em relação a outras formas de governo sobre as quais o Pew Research perguntou, mas ainda assim é um número menor do que o observado em outros países pelo centro de pesquisa.
Cerca de um terço dos respondentes (32%) também disseram que, com Lula de volta à Presidência, o Brasil se tornou mais democrático. Em comparação, apenas um a cada cinco (21%) disseram que o país se tornou menos democrático. Outros 42% disseram que o estado da democracia brasileira não se alterou com o retorno do petista.


A cúpula de chefes do G20 será realizada no Rio de Janeiro em novembro. Um dos convidados polêmicos foi o presidente russo, Vladimir Putin, alvo de um mandado internacional de prisão. A Rússia é membro do grupo das grandes economias globais.


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