Jair Bolsonaro ataca com virulência ex-pupilo postulante ao cargo de prefeito de São Paulo
Até o pastor extremista Silas Malafaia enquadrou Pablo Marçal com adjetivos como “palhaço” e “imbecil”

A cúpula da extrema-direita no Brasil entrou em uma fase de antropofagia após atacar com evidente satisfação a candidatura do empresário Pablo Marçal (PRTB) para a prefeitura de São Paulo. Apesar de tentar suavizar a crescente rejeição de figuras proeminentes do conservadorismo brasileiro, Marçal tem sido preterido em favor do atual prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes. Os ataques agressivos foram direcionados pelos membros da família Bolsonaro, de Carlos a Flávio, e mais recentemente, pelo próprio ex-presidente, que desferiu golpes duros contra Marçal.

O candidato a prefeito da maior capital do País que alega fazer campanha sem recurso do fundão eleitoral, sem padrinho político e sem redes sociais (foram tiradas do ar por ordem judicial), agora também não tem mais o apoio daquele que defendia com unhas e dentes quando questionado nas entrevistas a Imprensa sobre sua ligação com Jair Bolsonaro.
Agora, Marçal se vê ainda mais isolado e sem apoio político, tendo que enfrentar a final da campanha praticamente sozinho. Sua estratégia de rejeitar do fundo eleitoral não previa ficar sem suas redes sociais. Até o dia 7 de Setembro, vinha se apresentando como um candidato independente, mas isso tem sido um tiro no pé. Sem o respaldo de Bolsonaro, sua imagem pública fica ainda mais fragilizada e sua campanha arrisca naufragar. Resta saber como ele irá lidar com essa nova reviravolta em sua trajetória política.
“Na segunda-feira, 9 de setembro, o ex-presidente compartilhou um vídeo em sua lista de transmissão no Telegram no qual o empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) é descrito como ‘traidor’, ‘arregão’ e ‘aproveitador’.”

A peça é narrada por um locutor que diz que Marçal tem “medo” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, principal alvo da manifestação de 7 de Setembro, na Avenida Paulista.
“O candidato a prefeito esteve presente no ato, mas chegou minutos antes do encerramento da passeata. Segundo assessores próximos a Bolsonaro ouvidos pelo portal, a atitude foi interpretada como uma tentativa de fugir do mote anti-STF do protesto.”
O vídeo termina dizendo que “a direita não pode ser enganada novamente e se dividir” porque é “tudo que o sistema quer”. O acirramento de ânimos entre o ex-presidente e o ex-coach, após o prelúdio de uma aproximação, é o ponto de partida da peça. Jair Bolsonaro disse que Marçal “quis fazer palanque às custas do trabalho e risco dos outros” em uma nota dirigida à Imprensa. O organizador do ato anti-STF e aliado do ex-presidente, Silas Malafaia, por outro lado, chamou Marçal de “palhaço”. A assessoria de Pablo Marçal foi solicitada para fazer comentários sobre as declarações, mas não deu resposta.

A estratégia da extrema-direita de atacar Pablo Marçal revela a fragilidade de suas próprias candidaturas e a necessidade de desviar o foco para um concorrente mais fraco. A antropofagia política, caracterizada pela degustação dos próprios aliados, mostra que a luta pelo poder parece cada vez mais acirrada e sem escrúpulos. A divisão interna do conservadorismo brasileiro expõe as contradições e interesses pessoais em jogo, enquanto os ataques vindos da família Bolsonaro mostram que a lealdade partidária é relativa quando se trata de garantir o controle do poder. Nesse cenário de disputas e traições, fica evidente que a política no Brasil está longe de ser um jogo limpo e democrático.
