CONJUNTURA

Escândalo no INSS: como aposentados foram vítimas de um golpe facilitado por brechas no sistema

O relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) escancara fragilidades dos controles internos do INSS que podem ter facilitado a ocorrência de fraudes. Ele mostra como ocorriam os descontos não autorizados de benefícios de aposentados e pensionistas

Ministro da Previdência, Carlos Lupi, em entrevista à Imprensa, expressa preocupação com crimes no INSS — Foto: Thiago Resende


A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou um relatório sobre descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. A auditoria do INSS, concluída em setembro do ano passado, revelou que quase R$ 8 bilhões, retirados das aposentadorias, foram enviados a entidades privadas sem autorização adequada. Isso levou à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Os valores descontados eram destinados a associações que alegavam oferecer serviços como assistência jurídica, mas uma pesquisa com aposentados mostrou que a maioria (95,9%) não era filiada a essas entidades. Apenas 52 dos 1. 273 entrevistados disseram ter autorizado descontos.

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A CGU identificou que 72,4% dos beneficiários não sabiam que estavam sofrendo descontos e enfrentavam dificuldades para cancelá-los. Mesmo entre um grupo de 90 aposentados que haviam autorizado descontos, 81,1% negaram ter feito isso. O relatório também apontou que muitos não puderam assinar documentos devido a problemas de saúde ou residirem no exterior, evidenciando possíveis fraudes nas assinaturas.


Os descontos associativos aumentaram drasticamente, passando de R$ 536,3 milhões em 2021 para R$ 1,3 bilhão em 2023. O total pode chegar a R$ 2,8 bilhões em 2024. As falhas no controle do INSS incluíram a falta de fiscalização, equipe reduzida e dificuldades para os beneficiários acessarem informações sobre seus pagamentos.

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O INSS afirmou que está revisando seus processos para melhorar o controle dos descontos. No entanto, a CGU alertou sobre a falta de informações para validar autorizações anteriores, impactando 7,7 milhões de beneficiários. Como resposta, a CGU recomendou que o INSS bloqueasse novos descontos e aprimorasse os procedimentos de autorização e cancelamento, além de validar a autorização dos beneficiários.

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