Iniciativa federal em Macapá e Oiapoque facilita acesso a financiamentos bilionários do Fungetur, prioriza pequenos negócios e destina R$ 65,5 milhões para obras de infraestrutura no estado amapaense
Na segunda-feira, 8 de junho de 2026, o Ministério do Turismo realizou em Macapá e no Oiapoque, no Amapá, a quarta edição do programa “Brasil Mais Crédito para o Turismo” com o objetivo de orientar empresários locais sobre o acesso a linhas de financiamento do Fundo Geral de Turismo, o Fungetur. A iniciativa busca impulsionar a economia regional e facilitar o crédito para pequenos e médios negócios em um momento de franca expansão do setor no estado. Com mais de R$ 1 bilhão disponível para operações em todo o país em 2026, a ação estratégica visa descentralizar os recursos federais e fortalecer a infraestrutura nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A escolha do Amapá para sediar esta etapa reflete o crescimento expressivo do turismo na região, que em 2025 registrou a entrada de 52 mil turistas estrangeiros — um salto de 33% em relação ao ano anterior e o segundo maior fluxo internacional de toda a região Norte. Para consolidar essa tendência, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, aproveitou a agenda na capital amapaense para assinar um protocolo de intenções com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, chefiado por Waldez Góes. A parceria prevê a elaboração de planos de ação conjuntos em até 30 dias para otimizar a aplicação de recursos e desburocratar o acesso ao crédito, com vigência inicial de 12 meses.

Durante o evento, o ministro enfatizou que o montante bilionário do fundo representa um motor indispensável para a sustentabilidade da cadeia produtiva local. O foco principal da mobilização são os pequenos negócios que movem o dia a dia das cidades, como pousadas, restaurantes, agências de viagens e guias de turismo. Segundo Feliciano, o objetivo é garantir que o benefício chegue como “recurso na veia” de quem precisa promover melhorias reais nas suas atividades, financiando desde o capital de giro até a execução de obras físicas e a aquisição de novos equipamentos.


A chegada do programa ao estado ocorre em um cenário de forte aceleração dos investimentos locais. Entre 2023 e 2026, o Amapá contratou treze financiamentos via Fungetur, somando R$ 4,04 milhões direcionados integralmente para capital de giro. Desse total, Macapá concentrou a imensa maioria, somando doze operações que injetaram R$ 3,3 milhões na economia do município. O aquecimento do mercado é visível no recorte deste ano: somente em 2026, a capital amapaense fechou dez contratos que totalizaram R$ 3,03 milhões, demonstrando o interesse crescente dos empreendedores em expandir suas estruturas em meio aos recordes nacionais do setor.

Para ter direito aos financiamentos do Fungetur, os prestadores de serviços precisam estar regularizados no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos, o Cadastur. Atualmente, o Amapá conta com 555 cadastros ativos, sendo as agências de turismo, os restaurantes e os meios de hospedagem as categorias com maior representatividade. Na capital, onde há 381 profissionais e empresas registrados, o acompanhamento técnico oferecido pelo ministério busca justamente formalizar novos trabalhadores para ampliar o alcance das linhas de crédito disponíveis.

Um dos pontos altos da agenda de Gustavo Feliciano em Macapá foi o detalhamento de uma política afirmativa inovadora lançada na semana anterior. Trata-se de uma linha de apoio financeiro e técnico voltada especificamente para mulheres empreendedoras do setor de turismo que foram vítimas de violência doméstica. O ministro ressaltou a complexidade do processo de reconstrução pessoal e econômica após episódios de abuso e defendeu o fortalecimento do crédito como uma ferramenta essencial para garantir autonomia, independência financeira e reinserção digna no mercado de trabalho. A medida alinha-se às prioridades de inclusão social e proteção de vulneráveis estabelecidas pela gestão federal.

Além do estímulo direto à iniciativa privada, o governo federal mantém doze contratos ativos de infraestrutura turística no Amapá, totalizando R$ 65,5 milhões em investimentos públicos. Na capital, as principais intervenções incluem a construção do Centro de Convenções, orçado em R$ 12 milhões, as obras no Parque do Centenário, que recebem R$ 11,4 milhões, e a reforma estrutural do Teatro das Bacabeiras, com aporte de R$ 10 milhões. Complementando a agenda na faixa de fronteira em Oiapoque, o ministério anunciou ainda um plano de cooperação com a Unesco para diagnosticar e desenvolver o turismo nas divisas com a Guiana Francesa e o Suriname, consolidando o Amapá como um polo estratégico de integração sul-americana.

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