Senador Lucas Barreto assume lugar de Rayssa Furlan em debates para blindá-la de perguntas incômodas

Durante entrevista à rádio em Macapá, o senador Lucas Barreto assumiu que ocupará o lugar da candidata Rayssa Furlan em debates para protegê-la de questionamentos sobre investigações da Polícia Federal



Em uma revelação que expõe os bastidores mais pragmáticos da política amapaense, o senador e candidato à reeleição Lucas Barreto (PSD) assumiu publicamente, na última quarta-feira (9), durante uma entrevista à Diário FM em Macapá, que ocupará o lugar da aliada e candidata ao Senado Rayssa Furlan (Podemos) em sabatinas e debates eleitorais. A estratégia, arquitetada para blindar a ex-primeira-dama, visa evitar que ela enfrente perguntas incômodas ao vivo sobre investigações da Polícia Federal que envolvem repasses milionários e a apontam como beneficiária de operações bancárias suspeitas ligadas à construção do Hospital Municipal. Ao se propor a responder aos questionamentos no lugar dela, o parlamentar busca proteger a liderança da candidata nas pesquisas e blindar o grupo político do ex-prefeito Antônio Furlan contra os desgastes de inquéritos federais que abalam o cenário eleitoral no estado.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP
OPINIÃOOPINIÃO8 de fevereiro de 2010Emanoel Reis, Macapá – AP

No entanto, o plano de ocultação nos debates começou a ruir com a própria franqueza de Barreto ao ser confrontado sobre o sumiço da aliada dos eventos de sabatina. Sem titubear, o senador disparou que atuará como um representante duplo na corrida ao legislativo. Em um cenário político onde a exposição é regra, a ausência de Rayssa Furlan vinha sendo justificada por supostas agendas de campanha. Contudo, a fala do parlamentar sacramentou o que os bastidores já especulavam: evitar que a candidata responda ao vivo a questionamentos espinhosos sobre economia, segurança pública e, sobretudo, sobre os inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal.

As razões para o recolhimento estratégico remetem a março passado, quando a segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do STF, colocou o clã político sob escrutínio. As investigações revelaram indícios de desvios de recursos públicos e fraudes em licitações envolvendo a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. Nos relatórios da corporação, há registros de operações bancárias atípicas e o direcionamento de cerca de R$ 3 milhões em depósitos e transações em favor da pessoa jurídica RCFS Médicos LTDA., vinculada à aspirante ao Senado. O impacto dessas revelações levou ao afastamento temporário do então prefeito Dr. Furlan, gerando uma onda de instabilidade institucional que respingou diretamente na corrida eleitoral da esposa.

Apesar do desgaste jurídico e das críticas generalizadas de opositores pela fuga dos debates, a estratégia de isolamento tem respaldo nos números frios das pesquisas quantitativas. Levantamentos recentes do Instituto Real Time Big Data apontam Rayssa Furlan na liderança isolada da corrida ao Senado no Amapá, concentrando 33% das intenções de voto, o que demonstra que a base eleitoral do grupo mantém alta fidelidade mesmo diante das turbulências judiciais. Para analistas políticos locais, a alta popularidade construída pela máquina municipal e por ações sociais parece blindar a candidata perante o eleitorado mais popular, que pouco se sensibiliza com os debates técnicos abordados pela oposição.

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Ao assumir o microfone para blindar a companheira de chapa, Lucas Barreto tentou politizar os ataques recebidos, justificando que a pressão sofrida por Rayssa decorre do machismo estrutural e de sua condição de liderança isolada nas urnas. “O problema é que querem atacar porque ela é mulher, liderando as pesquisas. Ataca eu”, declarou o senador na emissora de rádio, sintetizando a tática de transformar a fragilidade processual em um discurso de vitimização e resistência política. Enquanto os eleitores aguardam esclarecimentos sobre o destino dos recursos públicos da saúde, os palcos dos debates amapaenses assistirão a um espetáculo singular: um candidato discursando e respondendo contas que pertencem, por direito e sufrágio, a outra cadeira da disputa.


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