Coalizão multissetorial abre inscrições para edital focado em segurança nutricional e práticas sustentáveis, garantindo recursos financeiros e visibilidade para projetos liderados por minorias em todas as regiões brasileiras
O Pacto Contra a Fome, uma coalizão multissetorial de combate à vulnerabilidade social, anunciou a abertura das inscrições para a quarta edição do Prêmio Pacto Contra a Fome 2026, com o objetivo de selecionar e apoiar financeiramente até seis projetos brasileiros que combatem a insegurança alimentar e o desperdício de comida no país através de um aporte de cem mil reais para cada vencedor. As inscrições para a premiação, realizada em parceria com cinco agências da Organização das Nações Unidas (ONU), são totalmente gratuitas e podem ser efetuadas pela internet até o próximo dia 7 de julho de 2026, às 18h pelo horário de Brasília, visando fortalecer o ecossistema de soluções estruturantes com potencial de escala nacional para cumprir a meta global de erradicar a fome no território brasileiro até o final desta década.

Diante de um cenário em que a distribuição desigual de recursos e as perdas na cadeia produtiva acentuam a vulnerabilidade social, a premiação consolida-se como uma das principais ferramentas civis de fomento à segurança alimentar e nutricional. A iniciativa conta com a cooperação técnica da ponteAponte e o respaldo internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), do Programa Mundial de Alimentos (WFP), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), além do suporte da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) por meio de seu programa Alimentar o Futuro.



A busca por soluções práticas que nascem dentro das próprias comunidades é o foco central do prêmio. De acordo com os organizadores, a identificação desses polos de transformação é o primeiro passo para criar políticas públicas mais robustas e eficientes no país. “O Brasil já tem soluções para a fome. Elas existem, estão em atividade, mas muitas vezes permanecem invisíveis. O Prêmio Pacto Contra a Fome existe para mudar isso: dar visibilidade, recursos e conexões a quem já está transformando realidades”, afirma Maria Siqueira, codiretora executiva do Pacto Contra a Fome. Ela ressalta que o impacto do programa ultrapassa o benefício financeiro imediato. “Para além da premiação financeira, as conectamos, geramos aprendizados e alimentamos um ecossistema de soluções com potencial real de escala”, complementa a executiva.

Desde sua criação em 2023, o prêmio já registrou a participação de cerca de 1,1 mil iniciativas oriundas de todas as unidades federativas brasileiras. Ao longo de suas três edições anteriores, a coalizão contemplou 18 projetos distribuídos por nove estados, resultando em um investimento direto de 1,8 milhão de reais na qualificação da rede de proteção social.

Neste ano, o edital permite a participação de organizações da sociedade civil formalizadas ou não, o que abrange institutos, fundações, associações, movimentos sociais, coletivos e redes comunitárias. Negócios de impacto socioambiental, como pequenas e médias empresas e startups, também estão aptos a concorrer, desde que comprovem atividade em andamento no território nacional.

O regulamento divide os concorrentes em duas grandes categorias de avaliação. A primeira, voltada à Promoção da Segurança Alimentar e Nutricional, engloba ações focadas na produção local de alimentos, apoio direto à agricultura familiar, coleta de insumos e articulação institucional. A segunda categoria é dedicada à Redução e Reversão do Desperdício de Alimentos, avaliando projetos focados em técnicas de aproveitamento integral, recondicionamento de refeições, campanhas educativas e inovações logísticas para mitigar perdas no campo e no comércio.

Até três projetos serão premiados por categoria. O edital deste ano estipula uma cota social obrigatória: ao menos uma das iniciativas vencedoras deverá ser, necessariamente, uma Cozinha Solidária que atue diretamente na formação e capacitação profissional de novos cozinheiros.

A análise das propostas será conduzida por um júri técnico de especialistas externos. Os critérios de avaliação avaliam o impacto e relevância social da proposta, a replicabilidade do modelo e a capacidade de colaboração entre diferentes agentes sociais. Para promover a equidade, a organização adota critérios de pontuação adicional para projetos liderados por mulheres, pessoas pretas, pardas, indígenas e comunidades tradicionais. Há também uma trava geográfica limitando a 50% a concentração de iniciativas de um mesmo estado por etapa, assegurando a pluralidade regional brasileira.

Para participar, os interessados devem acessar a plataforma oficial da coalizão na internet. O processo é dividido em duas fases obrigatórias: primeiramente, o usuário realiza o cadastro da proposta no HUB de Conexões do Pacto Contra a Fome (hub.pactocontrafome.org) e, na sequência, preenche o formulário detalhado do prêmio. A inscrição é validada após a confirmação por correio eletrônico.


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