Dados do IBGE mostram Amapá com uma das menores taxas de analfabetismo da Amazônia

Indicadores da PNAD Contínua consolidam políticas públicas voltadas à infância e ao sistema prisional amapaense, superando metas nacionais, enquanto o desafio se concentra na erradicação do analfabetismo entre idosos



O Amapá consolidou-se como um dos estados com menor taxa de analfabetismo da Região Norte, atingindo o índice de 4,5% entre a população de 15 anos ou mais em 2025. Os dados, divulgados em junho de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), revelam a eficácia das políticas públicas integradas implementadas pelo governo de Clécio Luís (União Brasil). Em regime de colaboração articulada com os 16 municípios amapaenses, a gestão estadual vem combatendo a exclusão educacional por meio de investimentos na infraestrutura escolar, capacitação docente e distribuição de material didático regionalizado, com foco simultâneo na alfabetização da primeira infância e no resgate de estudantes na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A performance coloca o Amapá em posição de destaque no cenário amazônico. No comparativo regional, o estado ostenta uma das situações mais confortáveis, ficando ligeiramente atrás do Amazonas, que lidera com 4,3%, e à frente de Roraima. O contraste mais severo na Região Norte é observado no Acre, que registra a taxa mais elevada de analfabetismo, atingindo 8,9% da população. Os novos indicadores da PNAD Contínua utilizam uma série histórica que compreende o período de 2016 a 2025, calibrada e elaborada a partir dos resultados oficiais do Censo Demográfico 2022.

A guinada nos indicadores amapaenses encontra explicação no fortalecimento do Programa Criança Alfabetizada (PCA), uma iniciativa focada na Educação Infantil e na Idade Certa. Ao estruturar um regime de colaboração mútua com as prefeituras locais, o Executivo estadual passou a investir massivamente na formação continuada de professores, na oferta de livros didáticos com referências culturais da própria região e na aplicação de avaliações periódicas de fluência leitora. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, esse pacote de medidas gerou um avanço expressivo: o índice de crianças alfabetizadas na idade correta, que era de apenas 17% em 2021, saltou para 60% no levantamento mais recente, superando de forma folgada as metas que haviam sido projetadas pelo Ministério da Educação (MEC).

Para além do ambiente da infância, a estratégia governamental de inclusão estende-se àqueles que não tiveram acesso à escola na idade regular. Por meio do pacto “Vem pra EJA”, o Amapá adota um modelo rigoroso de busca ativa para resgatar cidadãos fora das salas de aula, combatendo de frente tanto a evasão escolar quanto o analfabetismo funcional. As ações envolvem a reestruturação pedagógica e física do ensino noturno e a expansão de matrículas garantida por termos de cooperação firmados com órgãos estratégicos, a exemplo do Ministério Público estadual e da Polícia Militar. Em paralelo, a linha de frente contra o analfabetismo alcançou o sistema prisional. Uma parceria com o Governo Federal viabilizou a expansão do Programa Brasil Alfabetizado dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), convertendo o aprendizado da escrita e da leitura em uma ferramenta de ressocialização e resgate da dignidade para a população privada de liberdade.

Apesar dos avanços gerais, o raio-x do IBGE expõe recortes demográficos que demandam atenção contínua das políticas públicas, evidenciando desigualdades de gênero e de raça. No critério por sexo, o Amapá acompanha a tendência histórica observada no restante do Brasil, onde as mulheres apresentam maior nível de instrução formal. Na população geral com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo feminina é de 3,1%, enquanto a masculina chega a 3,8%. Essa distância se repete e se alarga na faixa da terceira idade: entre os amapaenses com 60 anos ou mais, o índice de mulheres que não sabem ler nem escrever é de 15,9%, patamar visivelmente inferior aos 18,1% registrados entre os homens da mesma faixa etária.

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As disparidades tornam-se ainda mais acentuadas quando os pesquisadores analisam o recorte por cor ou raça. Entre os moradores brancos com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo identificada foi de 2,7%, enquanto o índice sobe para 3,4% entre a população preta ou parda. O abismo social e educacional se manifesta com severidade máxima entre os idosos. Na população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pretos ou pardos atinge 17,1%, um percentual que é quase três vezes superior aos 13,9% medidos entre os idosos brancos, explicitando o peso histórico do racismo estrutural nas oportunidades de acesso à escola no passado e desafiando o poder público a manter o ritmo das transformações sociais no Amapá.


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